FAO alerta para grande perda de colheitas na África Austral

12 fevereiro 2016

Angola e Moçambique afetados pelas chuvas fracas; 2016 também regista efeitos do El Niño; agência da ONU revelou que está quase perdida a oportunidade para o sucesso do plantio a nível regional.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, prevê um grande fracasso de colheitas nesta temporada na África Austral.

O período é assombrado pela combinação da época fraca em 2014-2015 e o início de temporada "extremamente seca" entre outubro e dezembro. Condições quentes e mais secas do que a média devem ocorrer até o meio deste ano.

Oportunidade

Para a agência, apesar de certas áreas terem tido algum alívio desde meados de janeiro, a janela de oportunidade para o sucesso do plantio de sequeiro está quase fechada.

O El Niño é um dos mais fortes dos últimos 50 anos e provocou uma seca intensa na África Austral. O fenómeno também ocorreu na primeira etapa da campanha agrícola 2015-2016.

As chuvas não foram suficientes no sul de Angola e em vastas áreas de países como Moçambique, Zimbabué, Malaui, Zâmbia, Botsuana, Madagáscar e Namíbia.

Condições Fracas

No sul de toda a África Austral houve atrasos consideráveis no plantio e registam-se "condições muito fracas" para que as plantas e pastagens se desenvolvam.

As chuvas atrasaram mais de um mês em muitas áreas, causando uma quebra generalizada nas safras. Em grande parte da região, a precipitação deve continuar fraca e as temperaturas acima da média na época de crescimento.

A África do Sul é o maior produtor regional e espera colher 7,4 milhões de toneladas de milho na próxima safra. Trata-se de uma queda de um quarto em relação aos já fracos níveis de produção da última temporada.

O valor está 36% abaixo da média dos últimos cinco anos.

Produção de Cereais

Na época passada, a região baixou 23% na produção de cereais, o que aumentou a vulnerabilidade.  Os stocks alimentares da África Austral esgotam e os preços estão mais altos do que a média tendo agravado a insegurança alimentar.

A FAO prevê um aumento significativo da população que vai precisar de apoio em comida, bem como o auxílio de subsistência.

*Apresentação: Michelle Alves de Lima.

 

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