Chefe de Direitos Humanos cita Burundi como país à beira do abismo

15 dezembro 2015

Zeid Al Hussein declarou que a situação burundesa torna-se diariamente mais alarmante; cenário do país será debatido na sessão especial do Conselho dos Direitos Humanos marcada para esta quinta-feira.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque. 

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, disse esta terça-feira que o Burundi é o exemplo mais óbvio de situações de "Estados que estão à beira do abismo".

O responsável disse ao Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, que em tais cenários um puxar do gatilho pode resultar potencialmente num surto desastroso de abusos e de violações em massa desses princípios.

Situação Alarmante

Zeid defendeu que a situação de direitos humanos no país africano torna-se mais alarmante a cada dia.

Agências de notícias disseram que o exército burundês confirmou a morte de pelo menos 87 pessoas e ferimentos em outras 43, após ataques contra três instalações militares na sexta-feira.

De acordo com os relatos, o exército teria chamado as vítimas de criminosos, mas testemunhas disseram que as forças de segurança cometeram assassinatos extrajudiciais.

Sessão Especial

O cenário de violência segue-se a protestos que começaram em abril, quando o presidente burundês Pierre Nkurunziza anunciou a sua candidatura a um terceiro mandato.

Após os mais recentes incidentes, foi convocada uma sessão especial do Conselho de Direitos Humanos para esta quinta-feira. Na reunião para debater a situação no Burundi, o alto comissário deve apresentar a declaração de abertura.

Na sessão desta terça-feira, Zeid destacou os conflitos armados prolongados no mundo e o seu trabalho este ano nas deslocações a países como Tunísia, Coreia do Sul, República Centro-Africana, México, Reino Unido, Suécia e Brasil.

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