ONU toma conhecimento de 6 mil combatentes estrangeiros da Tunísia

3 novembro 2015

Grupo de Trabalho sobre o Uso de Mercenários informado sobre factores que levam tunisinos a lutar; ideologias política e religiosa e ganhos financeiros são causas; já os combatentes da Bélgica são recrutados pelas redes sociais.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A presidente do Grupo de Trabalho da ONU sobre o Uso de Mercenários apresentou seu relatório à Assembleia Geral da ONU na segunda-feira, tendo como foco o “fenómeno dos combatentes estrangeiros”.

Elzbieta Karska explicou que o problema aumentou de forma rápida e inesperada. Segundo a especialista, sabe-se que mais de 25 mil combatentes estrangeiros lutam nos conflitos do Médio Oriente, originários de mais de 100 países.

O relatório apresentado resultou de um ano de trabalho do grupo, que visitou a Tunísia e a Bélgica. A equipa também recolheu informações com Estados-membros da ONU, com as operações de paz e o Escritório de Direitos Humanos.

Recrutamento

Segundo Karska, o termo “combatente estrangeiro” refere-se a indivíduos que deixam seu país de origem e envolvem-se no conflito armado de outra nação, a maioria das vezes recrutados por insurgentes ou grupos não-estatais.

O Grupo de Trabalho da ONU descobriu que são várias as motivações: busca por um maior sentido na vida, alienação, patriotismo e ganhos financeiros. Da Tunísia, saíram 6 mil combatentes, atraídos por ideologias políticas ou religiosas, dinheiro ou condições económicas e sociais.

Mulheres

A maioria têm entre 18 e 35 anos.A presidente do grupo explicou que muitas mulheres decidiram se envolver nos conflitos por razões humanitárias ou para acompanhar seus maridos.

Sobre a Bélgica, Karska falou no conhecimento de 500 belgas a combater no estrageiro. São recrutados pelas redes sociais, por meio de familiares ou amigos e a média de idade é 23 anos, com um número crescente de mulheres.

Combate

O relatório trata também das implicações para os direitos humanos dos combatentes estrangeiros, com a documentação de violações como execuções, escravidão sexual, estupros, desaparecimentos e deslocamentos forçados.

O Grupo de Trabalho da ONU sobre o Uso de Mercenários afirma que a resposta ao “fenómeno” dos combatentes estrangeiros precisa ser estratégica. Os planos devem ter impactos imediatos e de longo-prazo além de garantir a adoção de padrões de direitos humanos.

O relatório destaca que os países devem equilibrar medidas de punição com prevenção e garantir a reabilitação dos combatentes que desejarem retornar ao seu país de origem. Os esforços necessitam envolver o combate ao extremismo violento, a prevenção da radicalização e o recrutamento de indivíduos por grupos terroristas.

 

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