África: OIM cita crescimento “sem precedentes” da população urbana

30 outubro 2015

Relatório defende que atual população urbana global de 3,9 mil milhões deve crescer para cerca de 6,4 mil milhões até 2050; migração seria motor de “grande parte do aumento na urbanização”, a tornar as cidades mais diversas.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A Organização Internacional para Migrações, OIM, lançou o Relatório Mundial sobre Migração 2015 intitulado “Migrantes e Cidades: Novas Parcerias para Gerir a Mobilidade”.

De acordo com a publicação, mais de 54% das pessoas em todo o mundo viviam em áreas urbanas em 2014. A população urbana atual de 3,9 mil milhões deve crescer para cerca de 6,4 mil milhões, ou 66% da população, até 2050.

Planeamento e Desenvolvimento

O padrão deste crescimento deve variar, mas espera-se que quase 90% ocorra em África e na Ásia.

O documento afirma ainda que a “migração é motor de muito deste aumento na urbanização, tornando as cidades locais muito mais diversos”.

Segundo a publicação “a mobilidade urbana contribui para esta transição global e a forma como as cidades e países gerem esta transição é crucial para o seu futuro”.

A migração e como ela é governada está, portanto, na linha de frente do planeamento urbano e do desenvolvimento sustentável.

África

Apesar de África não ser a região de urbanização mais rápida do mundo, a sua população urbana “tem crescido em índice histórico sem precedente há décadas”.

Em 1960, Joanesburgo era a única cidade na África Subsaariana com uma população de mais de um milhão; em 1970, mais três, Cidade do Cabo, Kinshasa e Lagos.

Já em 2010, segundo o Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos, UN-Habitat, havia 33.

Novos Destinos

Segundo o relatório, “a geografia dos fluxos migratórios está a mudar em conformidade com mudanças na economia global” e enquanto “novos destinos emergem globalmente”.

Uma gama muito mais ampla de cidades em todo o mundo tornou-se destino para migrantes.

Além dos fluxos tradicionais do sul global para economias desenvolvidas na Europa e América do Norte, estes, por exemplo, estão cada vez mais atraídos a países com alto crescimento económico no leste da Ásia, Brasil, sul da África e oeste da Índia.

Sul-Sul

De acordo com o documento, movimentos populacionais entre países de rendas média e baixa, conhecido como migração Sul-Sul, ganharam importância. Países em desenvolvimento tornaram-se tanto locais de imigração como emigração.

A China, por exemplo, é um país que recebe imigrantes da Nigéria enquanto, ao mesmo tempo, é uma nação de emigrantes ao Oriente Médio.

Pobreza

Apesar da forte relação entre urbanização e crescimento económico, a maioria dos governos, especialmente em países de rendas média e baixa em África e na Ásia, havia políticas para reduzir a migração de áreas rurais para urbanas.

Estes decisores políticos tendem a assumir que a maioria dos migrantes “transfere” sua pobreza a contextos urbanos.

No entanto, o documento da OIM afirma que isto não reconhece a “complexidade de tais movimentos populacionais”.

O relatório destaca ainda que “migrantes não são um grupo homogéneo” e que “há pouca evidência que sugira que a migração aumente a pobreza urbana”.