Segurança em Darfur é precária e imprevisível, segundo a ONU

28 outubro 2015

Confirmados mais de 104 mil novos deslocamentos entre dezembro e junho; um terço das mortes no conflito foi causada por confrontos intercomunitários; milícias locais aumentaram armas e influência.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A situação geral de segurança na área sudanesa de Darfur continua precária e imprevisível, revelaram esta quarta-feira as Nações Unidas.

Em declarações ao Conselho de Segurança, o subsecretário-geral assistente para Operações de Paz, Edmond Mulet, disse que entre dezembro a junho ocorreram mais de 104 mil novos deslocamentos na região.

Acordo

De acordo com o representante, uma solução abrangente do conflito de Darfur, para permitir o retorno de mais de 2,6 milhões de deslocados pelo conflito, requer um acordo político entre o governo e os movimentos armados.

A segunda fase de ofensiva Verão Decisivo, do exército contra insurgentes teria causado mais 69 mil deslocamentos não confirmados em sete meses. Uma série de confrontos violentos terrestres e bombardeamentos aéreos marcaram a operação.

Confrontos Intercomunitários

Mulet disse terem havido ganhos consideráveis das Forças Armadas sudanesas contra movimentos armados que não assinaram o Documento de Doha para Paz em Darfur.

Entretanto, o responsável disse que não pararam os confrontos intercomunitários que são responsáveis por cerca de um terço das mortes relacionadas ao conflito e 40% dos deslocamentos deste ano.

Como revelou, a importante fonte de instabilidade na região piorou com o envolvimento de grupos armados locais em operações de contra a insurgência de movimentos armados.

Focos de Crise

Os atacantes tiveram mais acesso a armas, ganharam maior influência local e beneficiaram-se da impunidade generalizada para levar a cabo os ataques contra outras tribos e realizar atividades criminosas.

Mulet disse que o governo tenta conter a violência com forças de segurança enviadas para os focos de crise.

Grupos Armados

Os últimos quatro meses também foram marcados por um aumento nos ataques contra a Missão da ONU em Darfur, Unamid, e o seu pessoal. O responsável mencionou a morte de um capacete azul sul-africano por um grupo armado da região, no fim de setembro.

De acordo com a ONU, a estratégia de saída das forças de paz vai continuar a ser debatida no início de novembro em encontros entre o secretário-geral adjunto, o vice-presidente da Comissão da União Africana e o ministro das Relações Exteriores do Sudão.

 

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