Violência matou pelo menos 198 pessoas em seis meses no Burundi

23 outubro 2015

Escritório de Direitos Humanos da ONU informou que um terço das vítimas perdeu a vida nas últimas três semanas; recomendação é que polícia seja advertida da punição em casos do seu envolvimento na morte de civis.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU anunciou que está extremamente preocupado com o  "rápido agravamento" da situação da segurança e dos direitos humanos no Burundi.

Pelo menos 198 pessoas morreram desde abril, após o anúncio da candidatura do presidente Pierre Nkurunziza ao terceiro mandato. Somente nas últimas três semanas morreram 63 pessoas que correspondem a cerca de um terço do total.

Execuções

Em comunicado emitido esta sexta-feira, em Genebra, a entidade expressa choque  com o "incidente mortífero" onde pelo menos "nove civis foram executados sumariamente" por forças policiais.

Foi a 13 de outubro que morreu o cinegrafista Christophe Nkezabahizi, da Rádio Nacional e Televisão do Burundi,  bem como a sua esposa e dois filhos no bairro de Ngagara na capital Bujumbura.

Disparos a Sangue Frio

Entre as vítimas estava um funcionário da Organização Internacional para Migrações, OIM, que vivia  no mesmo complexo.

Apesar de usar um cartão de identificação das Nações Unidas, Evariste Mbonihankuye foi morto pela polícia. Os elementos chamaram as vítimas enquanto vasculhavam as casas da área, "mandaram perfilar e dispararam a sangue frio".

Segurança

O escritório destaca que apesar de relatos de ataques anteriores contra o pessoal humanitário, pela primeira vez um trabalhador do setor foi morto por forças de segurança desde o início da crise.

O incidente começou com um ataque de jovens armados não identificados contra três polícias no bairro. Um dos membros da força morreu, outro foi ferido e o terceiro fugiu e pediu ajuda.

Num incidente separado, elementos da polícia burundesa teriam morto outras quatro pessoas, incluindo um menor. Pelo menos quatro casas teriam sido alvejadas e saqueadas pelos membros da força.

Investigação

O escritório saudou uma comissão de inquérito criada pelo procurador-geral do Burundi para investigar o incidente de Ngagara. O apelo é que essa investigação seja transparente, imparcial e vá de acordo com normas de direitos humanos.

Às autoridades burundesas, o apelo da entidade da ONU é que deem instruções claras aos membros das suas forças de segurança de que após ações similares serão punidos com toda a força da lei.

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