Emergência de refugiados na Europa: Acnur faz apelo por US$ 128 milhões
BR

1 outubro 2015

Segundo agência, mais de meio milhão de pessoas, a maioria refugiados, atravessaram o mar Mediterrâneo em busca de segurança este ano; em entrevista à Rádio ONU, alto comissário para Refugiados, António Guterres,  falou que é preciso abstrair dos números “e olhar para cada família refugiada”.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em  Nova York.

Mais de meio milhão de pessoas, a maioria refugiados, atravessaram o mar Mediterrâneo em busca de segurança na Europa em 2015. Para responder a esta emergência, o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, criou uma Iniciativa Mediterrânea Especial, SMI na sigla em inglês.

Nesta quinta-feira, a agência revisou seu apelo por financiamento para a iniciativa de junho de 2015 a dezembro de 2016 para US$ 128 milhões, cerca de R$ 515 milhões.

Europa, África e Oriente Médio

Este apelo complementar inclui iniciativas na Europa, mas também incorpora programas em países de asilo ou trânsito no Oriente Médio e na África.

Em entrevista à Rádio ONU, após um evento de alto nível sobre a crise na sede da organização, o chefe do Acnur falou sobre o que a agência precisa.

Apelo

“Mais que tudo a capacidade para resolver os conflitos, prevenir os conflitos, evitar que haja refugiados. Depois, há que reconhecer que à medida que os conflitos continuam e as pessoas continuam a ser forçadas a fugir, é absolutamente indispensável que os diversos apelos das agências das Nações Unidas para a ação humanitária sejam completamente apoiados”.

António Guterres defendeu o apoio internacional aos países vizinhos às crises.

Vizinhos

“É absolutamente indispensável que os países que recebem refugiados em grande número vindos de vizinhos que estão em crise, como é o caso do Líbano e da Jordânia para a Síria ou do Quênia e da Etiópia em relação à Somália, poderíamos falar de muitas outras crises. É necessário que esses Estados recebam um fortíssimo apoio da comunidade internacional porque eles estão a sofrer um impacto dramático nas suas economias e nas suas sociedades”.

O alto comissário falou ainda do impacto pessoal sentido por ele nesta crise.

Impacto Pessoal

“Nós temos que abstrair dos números, dos milhões de pessoas e olhar para cada família refugiada e pensar no que aconteceria com a nossa família, se a nossa casa fosse destruída, se membros da família fossem mortos, se tivéssemos que fugir sem saber para onde e por vezes sendo mal recebidos, como tem acontecido em alguns pontos, por partes de algumas comunidades. Se nós conseguimos imaginar essa tragédia na nossa própria vida, naturalmente sentimos uma pena imensa por aquilo que é o sofrimento de tantos e tantos refugiados no mundo hoje”.

A agência está trabalhando de forma próxima com a União Europeia e seus Estados membros, assim como outros países do continente, África e Oriente Médio afetados por conflito contínuo e deslocamento forçado.

A expectativa do Acnur é de até 700 mil pessoas buscando segurança e proteção internacional na Europa este ano.

Segundo a agência, embora seja difícil calcular neste momento, é possível que haja um número até maior de chegadas em 2016. O planejamento atualmente está baseado em números semelhantes a 2015.

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