Pinheiro destaca falha coletiva dos países em não acabar com guerra síria
BR

21 setembro 2015

No Conselho de Direitos Humanos da ONU, presidente da Comissão de Inquérito afirma que país “desmoronou diante dos nossos olhos”; Paulo Sérgio Pinheiro condena nações que enviam dinheiro e armas para financiar combates.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU promoveu, esta segunda-feira em Genebra, um diálogo interativo com a Comissão de Inquérito sobre a Síria. O presidente da comissão, Paulo Sérgio Pinheiro, declarou que o país “desmoronou diante dos nossos olhos”.

Para o brasileiro, “uma nação entrou em colapso no campo de batalha mais caótico e letal do mundo”. O presidente da comissão falou sobre a destruição da sociedade síria e da história do país, já que muitos locais considerados patrimônio histórico viraram ruínas.

Fuga

A Comissão de Inquérito acaba de retornar de países vizinhos à Síria, onde os especialistas em direitos humanos puderam conversar com sírios vítimas do conflito.

Os civis explicaram que o país está “irreconhecível” e a única solução foi deixar a Síria. Paulo Sérgio Pinheiro lembrou que a tragédia já alcançou a costa da Europa.

Terrorismo 

Segundo o presidente da Comissão, “o êxodo sírio ocorre porque os civis são as principais vítimas dos ataques desproporcionais e indiscriminados liderados pelos lados em conflito”: governo  e grupos armados da oposição.

Paulo Sérgio Pinheiro também falou sobre a presença do “grupo terrorista Isis” (conhecido também como Isil ou Daesh). Segundo ele, milhares de mulheres e meninas foram raptadas e são mantidas como “propriedade” do grupo. As vítimas são estupradas e apanham.

Negociação

A Comissão de Inquérito conseguiu conversar com algumas das vítimas e segundo Pinheiro, “o horror sofrido por elas é inimaginável”.

Aos países que fazem parte do Conselho de Direitos Humanos, o presidente da comissão lembrou da responsabilidade em colocar os lados em conflito na mesa de negociações.

Pinheiro declarou que “a falha dos países é uma mancha na consciência coletiva” e para ele, pior ainda é financiar o conflito enviando dinheiro, armas e treinando beligerantes” no país.

Futuro

O presidente da comissão lembrou que as nações que enviam armas têm uma obrigação moral e legal, porque a “responsabilidade dos crimes está com as pessoas que seguram as armas e aquelas que colocam as armas em suas mãos”.

Ele pediu um fim ao fluxo de armas para a Síria, afirmou que uma vitória militar no país é “uma ilusão” e se a guerra continuar, os países estarão financiando um conflito num “país praticamente inexistente”.

Paulo Sérgio Pinheiro disse que há quatro anos vem enfatizando que a única solução para o conflito é política e por isso, é hora de superar falhas diplomáticas.

No Conselho de Direitos Humanos da ONU, um  representante da Síria também fez declarações e disse “ser inaceitável negar ao país o direito de combater o terrorismo e de proteger seus cidadãos”.

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