Violência vai tornar-se mais intensa no Afeganistão em 2015, prevê enviado

17 setembro 2015

Em relatório, representante do secretário-geral cita disputa interna entre insurgentes Talebã após morte do líder Mullah Omar; Nicholas Haysom destacou  endurecimento de tom entre Cabul e autoridades do Paquistão.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

O representante especial do secretário-geral da ONU para o Afeganistão voltou a alertar que a violência vai continuar a intensificar-se no país em 2015.

Nicholas Haysom apresentou esta quinta-feira um informe ao Conselho de Segurança, no qual destaca que este ano o conflito tem sido "um dos mais intensos" enfrentados pelas Forças Nacionais de Segurança do Afeganistão.

Combatentes

O enviado disse que os insurgentes mostram uma capacidade de manter um grande número de combatentes em áreas isoladas, citando analistas. O facto desafia a possibilidade do exército de "ocupar ou manter a sua presença" após conquistar locais disputados.

No primeiro semestre de 2015, o país registou 1.592 mortes e 3.329 feridos no conflito, que correspondem a um aumento de 1% das vítimas civis em relação ao mesmo período do ano passado.

Sobre as negociações entre as autoridades e as milícias Talebã, Haysom disse que o processo estaria aparentemente suspenso após uma disputa interna entre os insurgentes na sequência do anúncio da morte do líder rebelde Mullah Omar.

Processo de Paz

Um outro motivo seria a interrumpção da colaboração entre o país e o vizinho Paquistão, em prol de um processo de paz inclusivo liderado pelos afegãos.

Nicholas Haysom citou uma série de bombardeamentos ocorridos no início de agosto em Cabul, que precipitaram o aumento do sentimento anti-Paquistão. Os ataques também levaram o governo afegão e o seu presidente a endurecer o tom contra o país.

Em relação ao governo de unidade nacional no Afeganistão, o informe destaca terem havido o que chamou de desenvolvimentos positivos e sinais de progressos.

O representante encorajou ao presidente afegão Ashraf Ghani e ao chefe executivo, Abdullah Abdullah, a finalizar o processo de nomeação de autoridades incluindo governadores, ministros e o procurador-geral.

Na mesma sessão do Conselho, o diretor executivo do Escritório da ONU sobre Drogas e Crime, Unodc, disse que o comércio de drogas ilícitas apoia a instabilidade, a insurgência, a corrupção e o crime organizado no país.

Yury Fedotov apontou também para o enfraquecimento das instituições do Estado e da capacidade global do Afeganistão para promover a paz e a boa governação.

No ano passado, o país foi responsável por cerca de 85% da produção mundial de ópio e 77% de heroína.

*Apresentação: Denise Costa.

 

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