ONU 70: Painéis “Guerra e Paz” de Portinari são reinaugurados
BR

8 setembro 2015

Murais serão reapresentados em evento na sala da Assembleia Geral na noite desta terça-feira; secretário-geral das Nações Unidas participa da celebração, parte das comemorações dos 70 anos da organização ; em entrevista à Rádio ONU, João Cândido Portinari, filho do pintor, afirmou que a expectativa é “imensa”.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.*

Depois de quase cinco anos, os painéis "Guerra e Paz" do pintor brasileiro Candido Portinari serão reinaugurados na sede da ONU na noite desta terça-feira. A obra, que deixou Nova York em 2010, quando o prédio das Nações Unidas entrou em reforma, retornou ao edifício em dezembro mas está coberta desde então.

Após deixar a sede da ONU ,"Guerra e Paz" passaram por um restauro sendo exibida ao público no Brasil e na França. Em entrevista à Rádio ONU, o filho do pintor e diretor-geral do Projeto Portinari, João Candido Portinari, falou sobre a expectativa para o evento.

Sonho

“A expectativa é imensa. Este é o fecho de um sonho que a gente acalentou quase que a vida toda. Esse sonho começou, na verdade, quando eu tinha 17 anos e os painéis foram inaugurados no Teatro Municipal do Rio de Janeiro porque antes deles embarcarem para cá houve uma grande demanda por parte do Brasil de que fosse dada uma chance aos brasileiros de vê-los nem que fosse uma vez, uma derradeira vez, que a gente imaginava, né? E naquela noite, foi uma coisa muito emocionante, estava Carlos Drummond de Andrade que escreveu um texto belíssimo sobre a emoção daquela exposição”.

Com a restauração, João Candido Portinari falou ainda da “surpresa de ver as cores originais dos painéis brotando de novo, a exuberância cromática dos painéis que tinha sido muito atenuada ao longo desses anos todos”.

A Obra

“Tem duas coisas que chamam muito à atenção quando você olha os murais ‘Guerra e Paz’. A primeira coisa é que Portinari não fez armas, não tem metralhadora, não tem tanque, não tem uniforme, não tem soldado. É uma obra que não é datada. Ele representou a guerra através do sofrimento das populações civis, a mãe que perde o filho é o personagem mais forte do painel da guerra, que você vê oito vezes, aliás, a representação clássica da Pietá.”

João Candido Portinari falou ainda das cores da obra que ele chamou de “surpreendente”, pois não existe o “costume de pensar na guerra num tom azul”.

Ele afirmou que “materializados nas pinturas” estão mais do que a guerra e a paz, mas “o bem e o mal”.

Guerra Fria

Os painéis “Guerra e Paz” foram um presente do governo brasileiro às Nações Unidas e chegaram pela primeira vez ao hall da Assembleia Geral da ONU em 1957.

Candido Portinari não participou da inauguração. O chefe do Projeto Portinari afirmou que “no contexto da Guerra Fria” e sendo o “artista de esquerda, não recebeu o visto” das autoridades americanas.

Na entrevista à Rádio ONU, João Candido Portinari falou ainda da sensação de representar o pintor, e pai, na reinauguração dos murais na sede das Nações Unidas, 58 anos depois.

“Eu acho que é uma sensação de um resgate e também de um ato de justiça porque eu sei o quanto deve ter ferido a ele, como ele próprio disse, a obra que ele considerava a mais importante, ele ter morrido sem ter a emoção de vê-la erguida aqui na ONU. Então, eu acho que ter a oportunidade de estar na terça-feira em nome dele dizendo ‘estou aqui em seu nome’, estamos todos aqui, estamos aqui juntos”.

O relançamento da obra na sede da ONU faz parte das comemorações oficiais dos 70 anos da organização.O evento será dirigido pela artista Bia Lessa e contará com a participação do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.

*Apresentação: Mônica Villela Grayley.

Leia Mais:

Entrevista: João Candido Portinari e a reinauguração de "Guerra e Paz"

 

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