Total de refugiados mortos em alto mar passa de 2,7 mil
BR

8 setembro 2015

Afirmação é da Organização Internacional para Migrações, que atualizou o número de mortes desde janeiro, sendo que 500 pessoas morreram a mais do que em 2014; representante da ONU para migração pede a países europeus para seguirem o exemplo da Alemanha.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Setembro continua sendo um mês “mortal” no Mar Mediterrâneo, com 58 óbitos registrados desde sexta-feira. A afirmação é da Organização Internacional para Migrações, OIM, que calcula que 2.760 pessoas morreram desde janeiro tentando chegar até a Europa.

São 500 mortos a mais do que o registrado no mesmo período do ano passado. Segundo a OIM, os traficantes estão criando mais espaço nos barcos para carregar mais refugiados e para isso, utilizam menos tanques de combustível.

Africanos

Entre sexta e domingo, mais de 2,4 mil refugiados foram salvos pela guarda costeira italiana e chegaram a várias localidades, como Lampedusa; muitos eram da África Subsaariana, incluindo pessoas da Nigéria.

Funcionários da OIM na ilha grega de Lesvos relatam que mais de 12 mil migrantes chegaram ao local somente entre os dias 1 e 5 de setembro e a maioria ainda não foi registrada. Já a ilha de Kos recebeu só neste mês cerca de 3 mil pessoas.

História

No sábado, um bebê sírio recém-nascido foi encontrado morto, mas seus pais sobreviveram à travessia e chegaram à Grécia. Nesta terça-feira, o representante especial da ONU para Migração Internacional afirmou ser necessário “um aumento enorme de recursos para responder a essa “crise humanitária”.

Para Peter Shuterland, “a história vai julgar a situação atual como um momento definitivo para a Europa”. Ele defende uma “redistribuição justa” dessas pessoas entre os países da União Europeia e elogia a postura da Alemanha, da Áustria e da Suécia.

Solidariedade

Shuterland destacou que alguns países europeus abriram suas portas para 72% dos refugiados, enquanto “outros países não estão abrigando nenhum”.

O representante da ONU citou a “solidariedade da premiê alemã Angela Merkel”, já que segundo ele, a Alemanha espera receber neste ano cerca de 800 mil refugiados.

A crise de refugiados que atravessam o Mar Mediterrâneo também recebe a atenção do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef. Segundo a agência, entre os dias 1 e 6 de setembro, quase 10 mil pessoas cruzaram a ex-República Iugoslava da Macedônia. Do total, 40% eram mulheres e crianças.

Crianças

No mesmo período, mais de 7,7 mil refugiados foram registrados na Sérvia. Os centros de acolhida da Macedônia e da Sérvia já registraram, juntos, mais de 153 mil pessoas.

Nos dois países, as equipes do Unicef fornecem água, comida e brinquedos. Foram criados vários ambientes para as crianças, que comportam até 50 menores por vez, que podem brincar e receber assistência psicossocial.

Depois do processo de registro, muitos continuam a jornada de ônibus até chegarem à Hungria ou outros países da Europa Ocidental. A maioria fugiu da Síria, do Afeganistão e do Iraque.

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