Acnur quer que a Europa crie centros de processamento de pedidos de asilo
BR

4 setembro 2015

Chefe da agência da ONU afirma que isso servirá como parte da resposta à crise de refugiados no continente; António Guterres calcula que 200 mil refugiados e migrantes necessitem de abrigo na região.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova York.*

O chefe do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, António Guterres, pediu que a Europa crie novos centros de processamento de pedidos de asilo.

Segundo Guterres, esses centros vão servir como parte da resposta à crise de refugiados no continente.

200 Mil

O Acnur calcula que 200 mil pessoas precisem imediatamente de abrigo na União Europeia. Guterres apelou aos países da região que “façam mais para ajudar os refugiados”.

Esta sexta-feira, o chefe da agência da ONU disse que os refugiados devem ser admitidos como parte de "um programa de transferência em massa" com "participação obrigatória" de todos os países-membros do bloco.

O alto comissário para Refugiados disse que esta é principalmente uma crise de refugiados e não apenas um fenômeno de migração. Ele lembrou que a grande maioria das pessoas que chega à Grécia vem de zonas de conflito como a Síria, o Iraque ou o Afeganistão.

Para o representante da ONU,  a solidariedade não pode ser apenas da responsabilidade de poucos Estados-membros.

Esforço Comum

Guterres afirma que a situação exige um esforço comum em massa que não é possível com a atual abordagem, considerada por ele como sendo "fragmentada ou que aumenta gradualmente". Segundo o chefe do Acnur, o continente "enfrenta o maior fluxo de refugiados em décadas".

Mais de 300 mil pessoas atravessaram o mar Mediterrâneo este ano, nessa viagem, pelo menos 2,6 mil morreram. No comunicado, Guterres cita como exemplo o menino sírio Aylan, de três anos, cuja foto circula no mundo.

O chefe do Acnur disse que quando o sistema é "desequilibrado e disfuncional" tudo fica bloqueado quando a pressão aumenta. Para ele, os únicos que se beneficiam da falta de uma resposta comum no continente são contrabandistas e traficantes.

Estratégia

O alto comissário recomenda uma estratégia comum baseada na responsabilidade, na solidariedade e na confiança que consiste em tomar "medidas urgentes e corajosas para estabilizar a situação".

Em seguida, Guterres sugeriu que seja encontrada uma maneira de partilhar verdadeiramente a responsabilidade a médio e a longo prazo.

O alto comissário quer também que, além da resposta imediata, haja uma reflexão séria sobre o futuro. Para Guterres, o fluxo em massa das refugiados e migrantes não vai parar até que as causas da situação sejam abordadas.

O chefe da agência da ONU quer que muito mais seja feito para prevenir conflitos e pôr fim às guerras que causam o deslocamento das pessoas.

*Apresentação: Edgard Júnior

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