Especialistas: sírios estão sofrendo de forma “inimaginável”
BR

3 setembro 2015

Comissão Independente de Inquérito sobre a Síria lançou seu último relatório nesta quinta-feira; para especialistas, sem fim à vista, o conflito no país “continua se intensificando, sujeitando civis de todos as origens a crimes de guerra e crimes contra a humanidade”.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

O relatório da Comissão Independente de Inquérito sobre a Síria, divulgado esta quinta-feira, afirma que “não há um fim à vista para o conflito no país”.

Segundo o documento, a violência “continua se intensificando, sujeitando civis de todos as origens a crimes de guerra e crimes contra a humanidade”. Os investigadores usaram mais de 335 entrevistas com vítimas e testemunhas dentro e fora do país, coletadas entre janeiro e julho deste ano.

Violações Graves

Para os especialistas, “essas transgressões, que incluem violações graves dos direitos humanos, são enormes em extensão e alcance”.

De Genebra, em entrevista à Rádio ONU, o chefe da Comissão Independente de Inquérito sobre a Síria, Paulo Sérgio Pinheiro, falou sobre as conclusões do relatório.

“Esse relatório é um pouco diferente dos relatórios anteriores porque basicamente ele se concentra em mostrar a situação de total falta de proteção da população civil na Síria. Então, nós tratamos de várias categorias: médicos, professores, mulheres nas suas várias categorias, ou sofrendo como vítimas, ou assegurando o primeiro momento de apoio humanitário, famílias apoiando umas às outras, minorias religiosas. Também nós chamamos a atenção para a questão dos refugiados.”

A Comissão pediu “ação urgente para garantir proteção efetiva para a população síria”.

O relatório, o décimo da Comissão para o Conselho de Direitos Humanos, traça as principais tendências e padrões com que os combatentes usam comunidades civis, grupos e indivíduos como alvos e os sujeitam a violações das leis internacionais e de direitos humanos.

Ação Internacional

O relatório do grupo enfatiza a necessidade de ação internacional para encontrar uma solução política que acabe com a violência e a escalada de crimes de guerra e graves violações de direitos humanos.

Para os especialistas, tal ação deve necessariamente incluir medidas para pôr um fim ao ciclo de impunidade.

Desde o início do conflito na Síria, em março de 2011, mais de 250 mil pessoas morreram, 4 milhões estão refugiados em outros países e 7,6 milhões fugiram de suas casas por causa da violência.

Terrorismo

Segundo a Comissão de Inquérito, dois grupos terroristas Jabhat Al-Nusra e o chamado Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, continuam usando métodos brutais contra os civis, particularmente minorias étnicas e religiosas.

Os especialistas afirmaram que o Isil tem utilizado, de forma consistente, táticas para causar terror entre a população civil em territórios controlados pelo grupo. Foram documentadas execuções públicas e mutilações de homens, mulheres e crianças, assim como a destruição de patrimônio cultural.

Segundo o documento, o Isil também continua seu “uso generalizado de estupros, casamentos forçados, violências sexuais e escravidão de mulheres”. As crianças e mulheres Yazidi são especialmente sujeitadas a “abusos terríveis” com base na identidade religiosa de sua comunidade que o Isil classifica como pagã.

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