Unctad: Gaza pode se tornar “inabitável” em menos de 5 anos
BR

1 setembro 2015

Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento lançou relatório sobre assistência aos palestinos nesta terça-feira; agência mencionou bloqueio econômico e operações militares.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, lançou nesta terça-feira um relatório sobre assistência aos palestinos. Segundo o documento, Gaza pode se tornar “inabitável” até 2020 se as “tendências econômicas atuais persistirem”.

De acordo com a agência, “além de oito anos de bloqueio econômico, nos últimos seis anos, Gaza passou por três operações militares que destruíram sua capacidade de exportar e produzir para o mercado doméstico, arrasaram sua já debilitada infraestrutura e não deixaram tempo para reconstrução e recuperação econômica”.

Reversão

O relatório afirma que estas ações aceleraram um processo no “território palestino ocupado em que o desenvolvimento não é apenas dificultado, mas revertido”.

O documento destaca “graves crises” em Gaza relacionadas à água e à eletricidade, assim como a destruição de “infraestrutura vital” durante os combates em julho e agosto de 2014.

Operações Militares

Excluindo as pessoas mortas, o relatório calcula que as perdas diretas das três operações militares que ocorreram entre 2008 e 2014 sejam quase três vezes o tamanho do Produto Interno Bruto, PIB, de Gaza.

No entanto, a Unctad afirma que o custo total pode ser “substancialmente maior” após serem incluídas perdas econômicas indiretas e renda futura perdida causada pela destruição de capacidades produtivas.

O documento também calcula a “destruição ou graves danos” em mais de 20 mil casas palestinas, 148 escolas e 15 hospitais. Cerca de 247 fábricas e 300 centros comerciais também foram completamente ou parcialmente destruídos.

Energia

O relatório da Unctad menciona ainda danos à “única usina de energia” de Gaza e ao setor agrícola.

A agência menciona que, mesmo antes do conflito em julho e agosto de 2014, a capacidade de fornecimento de eletricidade no local não era suficiente para atender 40% da demanda. Os dados são de 2012.

Segundo o documento, a “crise de eletricidade e energia é exacerbada pelo fato de que a Autoridade Nacional Palestina não é permitida a desenvolver e usar os campos de gás natural offshore descobertos desde a década de 1990 na costa Mediterrânea de Gaza”.

Desemprego

De acordo com a Unctad, em 2014 o desemprego em Gaza chegou a 44%, o mais alto já registrado. A falta de emprego foi “particularmente grave” entre jovens refugiadas palestinas, com mais de oito em cada 10 mulheres sem trabalho.

Para a agência, “o bem-estar econômico dos palestinos vivendo em Gaza é pior hoje do que há duas décadas”. O PIB per capta caiu 30% desde 2014 e a insegurança alimentar afeta 72% das residências.

O relatório destaca ainda que o número de refugiados palestinos que dependem da distribuição de comida por agências das Nações Unidas subiu de 72 mil no ano 2000 para 868 mil até maio de 2015. O número representa metade da população de Gaza.

Recessão

O documento sustenta que mesmo antes das três operações militares, “o bloqueio econômico em vigor desde 2007 já havia levado à interrupção em larga escala das operações produtivas e perda de emprego”.

O relatório do Unctad afirma ainda que com um crescimento econômico negativo de – 0,4%, a “economia do território palestino ocupado teve sua primeira recessão desde 2006 e queda na renda per capita pelo segundo ano consecutivo”.

Para a agência, “a piora da situação é causada quase que inteiramente por uma série de políticas econômicas impostas” à Autoridade Nacional Palestina.

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