Cerca de 400 crianças morreram desde março no conflito do Iémen, diz Unicef

19 agosto 2015

Relatório da agência revela que número de menores envolvidos no conflito mais do que duplicou; estima-se que de 1,8 milhão de crianças deve sofrer de desnutrição até o fim do ano.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Cerca de 400 crianças morreram e mais de 600 ficaram feridas nos últimos quatro meses com o agravamento da violência no Iémen. A cada dia, oito menores perdem a vida ou são mutilados nos confrontos.

O fato consta de um relatório publicado pelo Fundo da ONU para a Infância, Unicef. A agência defende que o grupo, que compõe 80% da população iemenita, precisa de ajuda humanitária urgente.

Conflito

O documento Iémen: infância sob ameaça,  revela que o país tem 10 milhões de menores de 18 anos. Os efeitos do conflito incluem a interrupção nos serviços de saúde, o aumento da desnutrição infantil e o encerramento de escolas.

Um dos destaques do relatório são as 377 crianças recrutadas ou utilizadas no conflito. O número representa mais do dobro dos 156 registados do ano passado.

Os menores de idade do país, considerado o mais pobre do mundo árabe, são a maioria dos 1,3 milhão de deslocados.

Tragédia

O representante do Unicef no Iémen, disse que o conflito é "essencialmente uma tragédia para as crianças" iemenitas. Julien Harneis explicou que estas são assassinadas por bombas ou balas. As sobreviventes "têm de lidar com a crescente ameaça das doenças e da desnutrição".

O relatório sublinha que o conflito com resultados arrasadores para a vida dos menores também deverá ter consequências terríveis para o seu futuro.

Cerca de 1,8 milhão de menores são propensos a sofrer de alguma forma de desnutrição no fim deste ano.

Cuidados

Desde 26 de março, 15,2 milhões de pessoas perderam o acesso aos cuidados básicos de saúde e 900 estabelecimentos sanitários foram encerrados.

A situação de emergência com um dos "maiores défices de financiamento" e recebeu somente 16% dos US$ 182,6 milhões pedidos pela agência. Harneis apelou urgentemente por fundos para chegar às crianças em necessidade desesperada.

O Unicef reiterou o pedido a todas as partes no conflito para que respeitem as suas obrigações sob o direito internacional humanitário e deixem de usar civis, escolas, água e saúde como alvos da guerra.

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