ONU: pessoas que tentam fugir do Isil no Iraque sofrem "repressão violenta"
BR

28 julho 2015

Escritório dos Direitos Humanos revela haver mais pessoas que tentam escapar das montanhas Hamrin, no nordeste do Iraque; riscos durante viagens longas incluem morte em emboscadas; PMA está ajudando famílias iraquianas voltando a Garma, província de Anbar.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

O Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos informou que recebe relatos que mencionam a "repressão violenta" aos que tentam fugir das áreas controladas pelo grupo autoproclamado Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil.

Nesta terça-feira, o órgão revelou que cada vez mais pessoas procuram escapar das montanhas Hamrin, no nordeste do Iraque. A viagem através das montanhas e para as cidades de Tikrit, Al-Alam e Kirkuk é considerada "muito difícil".

Jornadas

A jornada dura entre oito e 12 horas e atravessa "áreas desabitadas, sem sinalização nem estradas pavimentadas". As temperaturas são altas. O escritório fala também de emboscadas de homens armados do grupo contra os fugitivos, além de ações de francoatiradores.

A nota menciona a morte de pelo menos quatro famílias no início de julho, incluindo crianças e idosos, após terem tentado viajar sem guia e com poucos mantimentos.

Entre 10 e 12 de julho, três taxistas teriam sido executados em Shirqat, supostamente por ajudar moradores na viagem através de Hamrin. Diversas outras famílias foram sequestradas pelo Isil a caminho de Tikrit e Al-Alam.

Violência

A nota destaca que continua a perseguição aos que são considerados opositores à ideologia e ao domínio do grupo "com violência desprezível". No incidente mais mortífero, nove pessoas foram executadas por uma escavadeira no centro de Mossul.

O escritório revela ainda que uma rádio transmitiu as razões das mortes. Segundo relato, os que morreram teriam supostamente dado informações e colaborado as Forças de Segurança iraquianas e as milícias Peshmerga.

O escritório adverte que qualquer ataque intencional direto a civis é considerado uma violação grave do direito internacional humanitário.

Comida

O Programa Mundial de Alimentos, PMA, está ajudando mais de 185 famílias iraquianas que estão retornando a suas casas na cidade de Garma na província de Anbar.

Segundo a agência da ONU, o objetivo é fornecer assistência alimentar a 800 famílias que estão regressando por três meses.

*Apresentação: Laura Gelbert.

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