Iraque já tem mais de 3 milhões de deslocados internos
BR

23 junho 2015

Situação no país é tão vulnerável que 77 centros de saúde podem fechar as portas neste mês; civis que fugiram de suas casas estão espalhados pelas 18 províncias iraquianas.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 

Segundo um levantamento da Organização Internacional para Migrações, OIM, mais de 3 milhões de pessoas estão deslocadas dentro do Iraque. Os civis abandonaram suas casas devido à violência e agora estão espalhados pelas 18 províncias iraquianas.

A maioria dos deslocados internos é originária das províncias de Anbar, Ninewa e Salah al-Din. Mais de 2 milhões desses civis alugaram casas em outras cidades, estão vivendo com outras famílias ou estão hospedados em hoteis.

Abandono

A OIM destaca que quase 640 mil deslocados internos estão acomodados em abrigos improvisados, em condições críticas, vivendo em prédios abandonados, templos religiosos ou escolas.

Mais recentemente, desde que a violência começou em abril em Ramadi, a oeste de Bagdá, mais de 276 mil iraquianos fugiram da cidade que é capital de Anbar. Deste total, 55% deixou Ramadi após 15 de maio, quando o centro da cidade foi totalmente ocupado por grupos armados.

Kits

Os deslocados recebem da OIM e de outras agências humanitárias kits contendo água e itens de higiene. Mohammed Hindi, que deixou a cidade de Ramadi, declarou à OIM que abandonou sua casa em maio, acompanhado de sua mulher e de seus oito filhos.

Ao saber da presença do Isil na região, a família decidiu fugir a pé e não foi possível levar nenhum pertence. Agora, Hindi está morando com a família na casa de um amigo em Bagdá e destacou que os colchões recebidos da OIM são essenciais.

Saúde

Além do aumento dos deslocados internos, os conflitos no Iraque estão causando um impacto negativo no setor de saúde: 77 clínicas correm o risco de fechar neste mês. O alerta foi feito esta terça-feira pela Organização Mundial da Saúde, OMS.

A agência precisa urgentemente de US$ 60 milhões para garantir que esses centros de saúde continuem funcionando. Eles representam 88% dos atuais projetos de saúde nas áreas em conflito.

A OMS informa que as temperaturas no Iraque chegam aos 50° C em algumas localidades. O calor aliado às condições ruins de moradia, com pessoas vivendo em tendas, por exemplo, levam ao aumento dos casos de desitradação e de diarreia.

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