"Saara pode ser tão mortífero quanto o Mediterrâneo para migrantes", diz OIM

15 junho 2015

Entidade lançou alerta após descoberta de 18 corpos no deserto; uma mulher estava no grupo que pode ter morrido de desidratação; apelo é que comunidade internacional tenha o caso em mente para debates sobre o tipo de viagens.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

O diretor-geral da Organização Internacional para Migrações, OIM, disse que o deserto do Saara pode ser tão mortífero quanto o mar Mediterrâneo durante as viagens de migrantes.

William Lacy Swing falava este domingo, em Genebra, após a confirmação de 18 corpos de pessoas que  teriam ficado perdidas enquanto seguiam da área de Arlit no Níger, para a Argélia.  Os migrantes teriam sido surpreendidos por uma tempestade de areia.

Desidratação

A descoberta ocorreu na quinta-feira, mas suspeita-se que as vítimas tenham morrido uma semana antes provavelmente devido à desidratação.

O chefe da agência disse que fazer uma patrulha no deserto é quase impossível, mas instou a comunidade internacional a ter o caso em mente nos debates sobre as viagens de migrantes, os que estão em falta e as operações de resgate. Swing reiterou que "tragicamente, muitas dessas mortes não são notificadas".

O representante da OIM no Níger, Giuseppe Loprete, disse que a tragédia realça o perigo temido mas até agora pouco conhecido, que é enfrentado por muitos migrantes antes de arriscarem as suas vidas no mar.

Mulher

Entre as vítimas estavam 17 homens e uma mulher de nacionalidades de países que incluem Níger, Mali, Costa do Marfim, Senegal, República Centro-Africana Libéria e Guiné Conacri. De acordo com a OIM, uma das vítimas era supostamente da Argélia.

Loprete disse que este não é provavelmente um caso isolado, mas que nunca seria conhecido o número de migrantes em falta sem uma recolha sistemática de informações ou uma operação de resgate.

Contrabandistas

O representante disse que o caso é um indicador das dificuldades enfrentadas nas jornadas, mesmo antes de se chegar aos barcos na Líbia. Para ele, a questão agora é saber quantas pessoas devem perder a vida no deserto antes da chegada aos barcos dos contrabandistas no Mediterrâneo.

Estima-se que 1.865 pessoas morreram este ano em busca de uma passagem através do Mediterrâneo, segundo a OIM.

Os dados atualizados na sexta-feira apontam para 50 mil migrantes resgatados nas águas entre a costa da Líbia e da Itália, com a intensificação de patrulha das rotas levadas a cabo pela Europa.

*Apresentação: Denise Costa.

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