FAO: acabar com a fome de uma vez por todas deve ser movimento global
BR

4 junho 2015

Cidadãos, produtores e setor privado têm um papel, disse o chefe da agência a ministros da agricultura durante evento em Milão; índice de preços de alimentos da FAO cai para seu menor valor desde setembro de 2009.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York. 

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, afirmou que “o mundo inteiro deve participar de um movimento global para acabar com a fome e a desnutrição de uma vez por todas".

José Graziano da Silva fez a declaração esta quinta-feira durante a abertura do Fórum Agrícola Internacional, na Expo Milão, com a participação de mais de 50 ministros da agricultura e representantes de mais de 100 países e organizações internacionais.

Desenvolvimento Sustentável

O chefe da agência afirmou que um prazo para “acabar com a fome, alcançar segurança alimentar, melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável” é uma das prioridades das Metas de Desenvolvimento Sustentável pós-2015, que estão sendo negociadas pela comunidade internacional.

O progresso alcançado através dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, que era reduzir à metade a parcela da população sofrendo de fome, demonstraria que a próxima etapa é possível.

Graziano da Silva mencionou que o sistema das Nações Unidas está oferecendo pleno apoio a mais de 100 países na África, na América Latina e na Ásia que já se comprometeram a acabar com a fome.

Desigualdade

O chefe da FAO disse ainda que “a causa da fome não é a escassez de alimento, mas sim a pobreza, que está ligada a diversas desigualdades e questões de acesso a recursos.

Ele mencionou o acesso à água, à terra e a outros recursos produtivos, como também à renda e mercados, além de proteção social adequada.

Os ministros reunidos no fórum para discutir como melhorar a segurança alimentar, nutrição e sistemas alimentares, em geral, vão, na sexta-feira, assinar a chamada Carta de Milão.

Responsabilidade

A iniciativa do governo italiano busca impulsionar países, organizações, empresas e cidadãos a se comprometerem a encontrar soluções para desafios relacionados à comida e à nutrição.

Graziano da Silva disse que os cidadãos “devem fazer a sua parte” reduzindo o desperdício de alimento e consumindo produtos ecológicos e que investidores responsáveis também devem agir para aprimorar a segurança alimentar e a nutrição.

Preços

O Índice de Preços de Alimentos da FAO divulgado nesta quinta-feira caiu para seu menor valor desde 2009. Ele teve uma média de 166.8 pontos em maio, uma queda de 1,4% em relação a abril e cerca de 20,7% em comparação ao ano anterior.

A agência também aumentou sua previsão para maio sobre a produção de trigo, grãos grossos e arroz, antecipando maiores colheitas de milho na China e no México, assim como as de trigo na África e na América do Norte.

Este índice mede os preços nos mercados internacionais de cinco grandes grupos de commodities alimentares: cereais, carne, derivados do leite, óleos vegetais e açúcar.

Brasil

O declínio neste mês foi impulsionado por quedas de 3,8% no índice de preços de cereais, 2,9% em derivados do leite e 1% em carne.

A taxa de preço do açúcar subiu 2%, por conta de atrasos temporários na temporada de moagem no Brasil, “apesar de suprimentos abundantes”.

Clima

O índice para óleos vegetais subiu 2,6%, parcialmente motivado por preocupações de que o fortalecimento das condições do El Niño possam afetar a produção no sudeste asiático.

De acordo com as últimas previsões atualizadas, a produção global de cereais em 2015 será de cerca de 2,5 bilhões de toneladas, apenas 1% abaixo do recorde do ano passado.

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