Grupos armados confrontam-se perto de complexo da ONU no Sudão do Sul

19 maio 2015

Ocha anunciou que incidente causou vários feridos na cidade de Malakal, a capital do estado do Alto Nilo; Unicef cita dezenas de crianças mortas, estupradas, sequestradas e recrutadas durante os mais recentes ataques.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Escritório das Nações Unidas para Assistência Humanitária, Ocha, citou relatos de testemunhas dando conta de combates entre grupos armados próximo do local de proteção de civis da organização em Malakal, no Sudão do Sul.

Vários civis que tentavam afastar-se da área, situada no estado do Alto Nilo, foram feridos. O escritório anunciou que os atos ocorreram particularmente desde o último fim de semana.

Casas Queimadas

O Ocha revela também que uma ofensiva no estado de Unidade deixou milhares de casas incendiadas. Há receios de que o hospital de Leer possa voltar a ser destruído.

A "falta de respeito pela inviolabilidade da vida, da infraestrutura humanitária e da proteção dos civis pelas Nações Unidas constituem violações do Direito Internacional Humanitário", alertou o escritório.

A lei aplicada a todas as forças envolvidas em ações militares prevê a responsabilização dos que não respeitem a segurança dos civis, do pessoal e de instalações humanitárias.

Violência

Mais de 650 mil civis ficaram sem ajuda essencial devido aos ataques. O Ocha disse que estão a decorrer ações de agências da ONU e dos seus parceiros humanitários para lidar com as consequências da violência.

Aos que ocupam posições de comando, o apelo do escritório é que garantam que os combatentes protejam e respeitem os civis, incluindo trabalhadores humanitários nacionais, internacionais e os seus bens.

Nos próximos dias, será feita uma operação nas cidades de Leer e Malakal por pessoal que vai seguir para o terreno. As partes envolvidas nos confrontos foram instadas a garantir o acesso dos técnicos aos locais.

Recrutamento

Entretanto, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, disse que dezenas de crianças foram mortas na série de ataques no estado de Unidade. Pelo menos 12 menores foram estupradas, além de outras sequestradas e recrutadas.

Sobre os confrontos das últimas duas semanas, a agência citou testemunhas que fugiram de aldeias em chamas. Elas contaram que os menores têm sido tanto vítimas como autores da violência.

Destruição Generalizada

Homens armados e meninos em trajes civis e militares são considerados responsáveis pela destruição generalizada. Acredita-se que os grupos armados estejam ligados ao Exército Popular de Libertação do Sudão, Spla.

Os relatos apontam para aldeias inteiras incendiadas e várias meninas e mulheres estupradas e mortas, incluindo crianças de até sete anos.  Pelo menos 19 meninos de 10 anos e outras sete meninas foram mortas. Outras ainda foram mutiladas ou recrutadas para participar nos combates e para cuidar do gado.

Imagem Assustadora

O representante do Unicef no Sudão do Sul, Jonathan Veitch, chamou a atenção para a "imagem assustadora de crianças" que sofrem com o intensificar dos combates em plena estação chuvosa.

Ao Governo do Sudão do Sul e às forças de oposição o pedido é que usem a sua influência para proteger as crianças e deter os graves abusos que incluem violência sexual.

As Nações Unidas estimam que 13 mil crianças tenham sido recrutadas e sejam usadas por grupos de todas as partes do conflito sul-sudanês.

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