PMA preocupado com equipa desaparecida no Sudão do Sul

22 abril 2015

Três funcionários da agência da ONU desapareceram no estado do Alto Nilo no início deste mês; eles estavam no caminho para distribuição de comida.

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Programa Mundial de Alimentação, PMA, afirmou esta quarta-feira estar profundamente preocupado com três membros da sua equipa que desapareceram no estado do Alto Nilo, no Sudão do Sul, no início deste mês.

A diretora-geral da agência da ONU declarou que a entidade está a “trabalhar arduamente para o retorno em segurança” dos funcionários.

Assistência Vital

Ertharin Cousin disse que a equipa do PMA passa por “grandes riscos todos os dias para levar ajuda vital aos que precisam”.

Os três funcionários da agência desapareceram no dia 1º de abril no caminho para distribuição de comida.

Os elementos viajavam num comboio de Malakal a Melut, com alimentos para milhares de pessoas afetadas pelo conflito. Segundo testemunhas, um combate começou ao longo da estrada.

Segurança

A agência da ONU perdeu contato com os três homens desde então, apesar de intensos esforços para chegar a eles. O PMA revelou que tem trabalhado sem sucesso com autoridades em Juba, Malakal e Akoka na busca de informações sobre o paradeiro dos funcionários.

O desaparecimento ocorre em momento de piora na situação de segurança e de crescente perseguição a trabalhadores humanitários em todo o país.

O PMA teme que a insegurança em algumas partes do Sudão do Sul dificulte o acesso de agências humanitárias a comunidades afetadas pelo conflito.

Fome

A chefe da agência disse que a instituição está “igualmente preocupada com o bem-estar de pessoas inocentes, particularmente mulheres e crianças, que estão a sofrer as consequências deste conflito”.

Segundo o PMA, 2,5 milhões de pessoas no Sudão do Sul começaram este ano sem saber de onde viria sua próxima refeição. A estimativa de especialistas em segurança alimentar é que esse número aumente em maio. O objetivo da agência da ONU é assistir cerca de 3 milhões de pessoas no país em 2015.

Cousin afirmou o compromisso do PMA em assistir à população sul-sudanesa da melhor forma possível. No entanto, ela disse que a “agência não pode fazer seu trabalho que salva vidas a menos que as autoridades nacionais e locais estejam dispostas e sejam capazes de proteger o pessoal humanitário”.

Por causa das preocupações crescentes com a segurança da equipa, o PMA está a reavaliar sua possibilidade de trabalhar em algumas partes do estado do Alto Nilo. A agência planeia reduzir temporariamente as suas operações nestas áreas onde não acredita que sejam seguras.

Crime de Guerra

Segundo a ONU, 10 trabalhadores humanitários foram mortos no estado do Alto Nilo deste o início do conflito no Sudão do Sul, há 16 meses.

Outro trabalhador do PMA foi raptado por homens armados em outubro de 2014 no aeroporto de Malakal, e não há notícias dele desde então.

Ao referir-se ao ataque à equipa no Fundo das Nações Unidas para Infância, Unicef, na Somália,a subsecretária-geral da ONU para Assuntos Humanitários afirmou que o atentado é um lembrete dos perigos enfrentados por muitos trabalhadores humanitários diariamente.

Em nota emitida nesta terça-feira, Valerie Amos afirmou que ataques ao pessoal humanitário podem constituir crimes de guerra e estão em total violação do direito internacional e de direitos humanos.

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