Mais de 600 menores desacompanhados entre migrantes que chegaram à Itália

10 abril 2015

Balanço da OIM realça número significativo de mulheres e crianças no primeiro trimestre deste ano; africanos são a maioria dos 12 mil recém-chegados ao país europeu até esta sexta-feira.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Mais de 12 mil migrantes chegaram aos portos da Itália até esta sexta-feira, segundo a Organização Internacional para Migrações, OIM.

A agência revelou que foram 10.165 migrantes que entraram no país nos primeiros três meses de 2015, menos 800 em relação ao mesmo período do ano passado.

Vulneráveis

O grupo com um "número significativo de mulheres" inclui 613 menores desacompanhados apesar de a grande maioria dos migrantes ser composta por homens adultos. A OIM sublinha que, muitas vezes, os barcos transportam outras pessoas vulneráveis incluindo candidatos a asilo e vítimas de tráfico e violência.

Os dados referem que a maioria dos cidadãos é da Gâmbia, que teve 1413 migrantes registados. Seguem-se o Senegal, a Somália, a Síria, o Mali e a Eritreia.

Insegurança na Líbia

O principal ponto de partida dos migrantes são os portos líbios de Misrata, Zuwara e Trípoli. A insegurança no país, que antes era de trânsito, tem deteriorado nos últimos meses. Vários residentes optam por seguir para a Itália por via marítima.

O diretor do Escritório de Coordenação de OIM para o Mediterrâneo em Roma citou migrantes a dizerem que milhares ainda aguardam pela sua saída da Líbia.

De acordo com Federico Soda, os fatores que influenciam as partidas "são tão imprevisíveis que o melhor é evitar especulações sobre números".

Soda considerou impossível determinar com precisão o número de mortes, porque podem ocorrer  despercebidas durante a travessia do Mediterrâneo e do Deserto de Saara.

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