Ban recebeu relatório sobre mortes em protestos diante da missão no Mali

2 abril 2015

Documento constata uso de força excessiva não autorizada por polícias da Minusma contra civis; alguns manifestantes e organizadores são destacados no inquérito por responsabilidade pela violência.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse que recebeu o relatório que determina os factos dos protestos violentos de 17 de janeiro passado em Gao, no Mali.

As manifestações decorreram diante das instalações da Missão da ONU no país, Minusma, na cidade do norte.

Violência

Em nota, emitida pelo seu porta-voz, Ban sublinha que foi constatado que membros de uma Unidade de Polícia Formada da missão usaram "força excessiva não autorizada e contra manifestantes civis" durante o protesto. Três participantes morreram com tiros e outros quatro ficaram feridos.

A ONU declara que o inquérito também "estabelece que alguns manifestantes e organizadores do ato tiveram responsabilidade pela violência, que incluiu o lançamento de cocktails Molotov, de pedras e a tentativa de violar o perímetro da sede regional da Minusma" em Gao.

Acordo

As forças de segurança da operação de paz foram "deixadas para enfrentar os manifestantes por conta própria, em violação do Acordo do Estatuto das Forças com o país anfitrião". Cinco polícias da missão ficaram feridos no episódio.

Ban lamenta profundamente as mortes de civis devido ao uso excessivo da força pelo pessoal da Minusma durante o evento e deplora "a violação da diretiva da operação de paz sobre o uso da força".

Responsabilização

O chefe da ONU disse estar empenhado em garantir que os autores "sejam plenamente responsabilizados pelas suas ações". Nesse sentido, Ban declara que providências estão em curso junto das autoridades do Mali e do país que contribui com a polícia em causa.

Ao governo maliano, o secretário-geral exorta a tomada de medidas adequadas para prevenir futuros incidentes do género. Para evitar a sua repetição, Ban disse que as áreas das comunicações, gestão e procedimentos de crise dentro da operação de paz também serão examinadas.

O secretário-geral disse ainda que está empenhado em garantir justiça para as vítimas e as suas famílias, de acordo com os costumes locais e os procedimentos apropriados das Nações Unidas.

Estabilização

Decorrem contactos entre a missão de paz, as autoridades locais, os indivíduos e as famílias em causa nesse sentido.

A nota termina com Ban Ki-moon a expressar as suas mais profundas desculpas às vítimas e suas famílias e a realçar que tanto as Nações Unidas como a Minusma continuarão empenhadas em apoiar a estabilização do Mali.

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