Aumento da oferta e valorização do dólar fazem cair preços dos alimentos

2 abril 2015

Em março, FAO registou queda de 1,5% nos custos da comida em relação ao mês anterior; oferta de cereais aumentou devido a colheitas recordes em 2014; chuvas fracas podem baixar produção do milho sul-africano em cerca de 33%.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Os preços globais dos alimentos continuaram a cair em março, anunciou a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO. A queda foi de 1,5% em relação a fevereiro e situou-se 18,7% abaixo do nível registado há um ano.

Nesta quinta-feira, a agência destaca que os preços do açúcar atingiram o seu menor nível desde fevereiro de 2009. Foram 187,9 pontos ou cerca de 9,2% menor do que no mês anterior.

Brasil

A razão principal foi o aumento das previsões para as colheitas e o enfraquecimento contínuo da moeda brasileira, o real, em relação ao dólar norte-americano "que favoreceu as exportações". O Brasil é o maior produtor e exportador do produto.

Em março, a média do Índice de Preços dos Alimentos foi de 173,8 pontos também por causa da baixa dos custos dos óleos vegetais, das carnes e dos cereais que compensaram a subida dos preços dos laticínios durante o período.

De acordo com a FAO, o índice que mede as variações mensais de preços tem sido marcado por uma queda desde abril de 2014.

Cereais

A tendência baixa de preços observada este ano deve-se principalmente às exportações em grandes quantidades e ao aumento de stocks, especialmente do trigo e do milho. Em março, os cereais estiveram 1,1% abaixo do seu nível de fevereiro e 18,7% em relação ao ano passado.

Quanto aos óleos vegetais a queda foi de quase 3,1% em comparação com o nível de fevereiro, o valor mais baixo desde setembro de 2009.

Europa

A colheita do milho na União Europeia foi um dos fatores que fizeram aumentar as previsões de produção de cereais para 2.544 milhões de toneladas em 2014. A produção de trigo deve estar a 1% abaixo das previsões para o ano, devido as reduções de plantações no bloco.

O índice destaca previsões de uma baixa drástica de produção do milho sul-africano em cerca de 33% devido a deficiências nas chuvas em 2014.

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