África Austral quer mais meios para combater Boko Haram e grupos terroristas

1 abril 2015

Angola apresentou apelo das 15 nações do bloco esta quarta-feira no Conselho de Direitos Humanos; ONU estima que 15 mil pessoas podem ter morrido durante os seis anos de ação do grupo na Nigéria e nos países vizinhos.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A Comunidade dos Países da África Austral, Sadc, pediu ao mundo que coloque os "mesmos meios que combatem o terrorismo em outros lugares" ao dispor do continente para fazer frente às milícias nigerianas Boko Haram.

O apelo foi feito no discurso apresentado no Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, pelo embaixador angolano junto às Nações Unidas. O pronunciamento em nome do bloco de 15 nações antecede à votação de uma proposta de resolução do órgão a condenar as ações do grupo.

Braços Cruzados

Falando à Rádio ONU, de Genebra, o embaixador Apolinário Jorge Correia disse que a comunidade internacional deve fazer mais do que deplorar ações dos extremistas.

"São ações bárbaras e inqualificáveis e a comunidade internacional não pode ficar de braços cruzados reparando todas as partes. Se em algumas zonas do planeta são combatidos com todos os meios, em África também esses grupos devem ser combatidos e devem apoiar os países africanos que já têm a iniciativa e colaborar com isso. Nós, em Angola, estamos a participar como presidentes da Conferência Internacional dos Grandes Lagos, onde também temos dado a nossa contribuição. Claro, todos os países do continente estão mobilizados para combater esses fenómenos e manifestações de terrorismo que começam a proliferar um pouco por todos os lados de África."

Apoio da ONU

No evento, o representante da União Africana para o Mali e o Sahel, Pierre Buyoya, disse que é importante o apoio financeiro, técnico e logístico das Nações Unidas para os esforços dos países da Bacia do Lago Chade. O antigo presidente do Burundi lembrou que o grupo de nações formou uma força que combate o Boko Haram.

Já o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, afirmou que este é o momento de a comunidade internacional tomar medidas contra o que chamou de "violações terríveis".

Missões Suicidas

Zeid disse que o grupo extremista tinha escravizado mulheres e meninos recrutados à força. Outros seriam usados como o que ele chamou de "carne de canhão" em combates ou missões suicidas.

O responsáel contou que foram encontrados corpos de crianças com cerca de 12 anos espalhados em torno de campos de batalha.

Estimativas apresentadas por Zeid apontam para pelo menos 15 mil mortos e mais de 1 milhão de deslocados na Nigéria desde o início das operações do grupo em 2009. Pelo menos 168 mil nigerianos fugiram para os países vizinhos.

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