Mudança climática em África poderá custar US$ 50 mil milhões

4 março 2015

Relatório do Programa da ONU para o Meio Ambiente ressalta que aquecimento no continente está mais rápido do que as condições normais; conferência de ministros africanos do ambiente decorre no Egito.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Os custos da mudança climática em África podem chegar a US$ 50 mil milhões até o ano de 2050, num nível além da capacidade do continente. O alerta está a ser feito pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, que lançou um relatório sobre o tema esta quarta-feira.

Segundo a agência, o aquecimento no continente está a ocorrer num ritmo mais rápido do que as condições normais. Mesmo se os esforços internacionais forem suficientes para manter o aquecimento global abaixo dos 2°C neste século, a adaptação climática teria um alto custo para África.

Conferência

O documento foi lançado na 15ª Conferência Ministerial Africana sobre o Ambiente, que reúne ministros de vários países no Cairo, capital do Egito.

Para o Pnuma, o mundo não está a caminhar na direção certa para manter o aquecimento global abaixo dos 2°C. Sendo assim, os custos de adaptação climática em todos os países em desenvolvimento podem ser entre US$ 250 mil milhões a US$ 500 mil milhões por ano até 2050.

Emissões

O relatório informa ainda que reduzir as emissões globais de gases é a melhor maneira de diminuir os custos de adaptação climática em África. Os recursos domésticos do continente são insuficientes para responder aos impactos, mas seriam importantes para complementar os fundos internacionais prometidos aos países africanos.

O diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner, declarou que investir na adaptação como parte dos planos nacionais de desenvolvimento é essencial para alcançar a resiliência a futuros impactos causados pela mudança climática.

Impactos

Pelas projeções do Pnuma, a temperatura média de África pode subir mais do que 2°C nas últimas duas décadas do século e existe ainda a possibilidade de alcançar entre 3°C e 6°C até o fim do século. Os impactos para produção agrícola, segurança alimentar, disponibilidade de água e saúde humana seriam severos.

Caso a temperatura média suba 4°C, o nível do mar pode aumentar mais rápido do que o esperado, causando cheias em Moçambique, Tanzânia, Camarões, Egito, Senegal e Marrocos.

O relatório destaca ainda que até 2030, a África do Sul poderia investir US$ 961 milhões nos esforços de adaptação e o Gana poderia investir US$ 233 milhões, mas o Pnuma lembra que o financiamento internacional continua a ser necessário.

 

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