Conflito na Ucrânia já fez mais de 6 mil mortos, diz escritório da ONU

2 março 2015

Mortes devido à escalada dos combates incluem civis e militares; situação é tida como insustentável para reféns em áreas controladas por grupos armados; relatório aponta para 14.740 feridos até meados de fevereiro no leste do país.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O conflito na Ucrânia já deixou mais de 6 mil mortos, destaca um relatório do Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

O alto comissário para a área, Zeid Al Hussein, disse que o documento emitido esta segunda-feira pinta um quadro de "devastação impiedosa de vidas de civis e da infraestrutura." Ele frisou que mulheres, crianças, idosos e grupos vulneráveis foram particularmente afetados.

Estimativas

Os cálculos consideram os 5.809 óbitos, registados de meados de abril do ano passado a 28 de fevereiro, e as baixas ainda pendentes ocorridas particularmente próximo do aeroporto de Donetsk e da área de Debaltseve, que foram consideradas nas estimativas até esta segunda-feira.

As mortes devido ao escalar dos combates incluem civis e militares, numa situação considerada "insustentável para os que estão retidos como reféns em áreas controladas por grupos armados".

Zeid disse que as pessoas presas nas zonas de conflito precisam abrigar-se em porões com "quase nenhuma água potável, comida, aquecimento, eletricidade ou suprimentos médicos básicos."

Dificuldades

O documento cita novas dificuldades criadas pelas restrições de viagem impostas pelo governo, a 21 de janeiro, principalmente para os civis que já vivem em situação extremamente precária.

De acordo com Zeid, supor que os que permanecem em território controlado por grupos armados o fazem por sua escolha é preocupante e equivocado. Para ele, muitos ficam por temer pelas suas vidas caso tentem movimentar-se.

Outros ainda estão na situação "para proteger os menores, outros membros da família ou aos seus bens", tendo apontado casos de pessoas forçadas a ficar contra a sua vontade, ou que são fisicamente incapacitadas para sair.

Hostilidades

Zeid considera imperativo que todas as partes cumpram o que está previsto nos acordos de Minsk e parem com o bombardeamento indiscriminado e outro tipo de hostilidades que "criaram uma situação terrível para os civis".

Um informe de uma missão de Direitos Humanos da ONU na Ucrânia, entre 01 de dezembro e 15 de fevereiro, fala da continuação do fluxo de armas pesadas e de combatentes estrangeiros, incluindo da Rússia. O destino seria as áreas de Donetsk e Luhansk, controladas por grupos armados.

O estudo destaca ainda que após um período de calma relativa, em dezembro, a situação da segurança e dos direitos humanos no leste da Ucrânia "deteriorou-se dramaticamente" em janeiro e no início de fevereiro.

Ataques

Um pesado balanço em termo de mortes e de feridos aparece como resultado do "bombardeamento indiscriminado de áreas residenciais" em zonas controladas pelo governo como cidades controladas pelos grupos armados.

Zeid sublinha que a situação dos direitos humanos na Ucrânia continua a ser grave, sublinhando que os desafios recentes incluem uma série de ataques terroristas em Kharkov e Odessa. A estes juntam-se receios de um outro ataque em Mariupol, onde 31 pessoas morreram em 24 de janeiro.

Proteção

O responsável disse que se a tendência continuar, representaria um capítulo novo e muito mortal no conflito expandindo as áreas em que o Estado de direito e da proteção dos direitos humanos são "efetivamente ausentes".

Até finais de fevereiro, o conflito teria feito 14.740 feridos no leste da Ucrânia. Entre 01 de dezembro do ano passado e 15 de fevereiro de 1.012 pessoas morreram e 3.793 ficaram feridas.

Para Zeid, todas as violações do direito humanitário internacional devem ser cuidadosamente investigadas e os autores levados imediatamente à justiça. "

O relatório documenta o "sofrimento de civis, incluindo alegações de detenção arbitrária, tortura e desaparecimentos forçados cometidos principalmente pelos grupos armados, mas em alguns casos também pelas agências ucranianas de aplicação da lei".

Deslocados

O leste da Ucrânia abriga cerca de 1 milhão de pessoas registadas como deslocadas internas. Em vários locais, os centros de acolhimento estão sobrecarregados e com poucos recursos.

O relatório cita alguns desenvolvimentos positivos, incluindo as negociações que resultaram no novo acordo de cessar-fogo. O Escritório congratula-se também pelas disposições do acordo sobre a libertação de todos os reféns e detidos ilegalmente e a retirada de armamento pesado a partir da linha de contacto.

As medidas elogiadas incluem a retirada de formações armadas estrangeiras, de mercenários e de armas da Ucrânia além da reintegração do controlo total da fronteira do Estado por parte do Governo ucraniano em toda a área do conflito.

 

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