Relatora diz que situação está numa encruzilhada na República Centro-Africana

3 fevereiro 2015

A caminho do país, especialista considera segurança precária com persistência de ameaças e de abusos; visita deve analisar situação do Estado de direito e condições de vida dos deslocados.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A relatora das Nações Unidas sobre os direitos humanos na República Centro-Africana considerou que o país está "numa encruzilhada".

Marie-Thérèse Bocoum citou iniciativas positivas ao falar do lançamento de uma consulta nacional para preparar o fórum Bangui sobre a reconciliação nacional.

Abusos

Ao mesmo tempo, afirmou que a situação de segurança continua a ser precária com a persistência de ameaças e de abusos que afetam os direitos humanos dos civis e de deslocados que aguardam melhorias na sua proteção.

A partir desta terça-feira, Bocoum estará na República Centro-Africana numa deslocação que se estende até 14 fevereiro. A visita deve avaliar os progressos no terreno e a implementação de recomendações feitas nas suas deslocações anteriores.

Deslocados

Além de fazer uma análise aos direitos humanos e à situação do Estado de direito, serão abordados temas como as condições de vida dos deslocados internos e vulneráveis.

Cerca de 440 mil pessoas foram forçadas a sair das suas casas devido aos dois anos da guerra civil e da violência sectária entre as antigas milícias Séléka, de maioria muçulmana, e os anti-Balaka , cuja grande parte é  cristã. Outras 190 mil pessoas deixaram o país em busca de refúgio no exterior.

Os contactos da relatora incluem encontros com membros do governo de transição centro-africano, do poder judicial, da sociedade civil e de parceiros internacionais que incluem pessoal das Nações Unidas no país.

Em março, os resultados da visita devem ser apresentados num informe ao Conselho de Direitos Humanos.