Apesar de reformas, Grécia ainda tem problemas para receber refugiados
BR

30 janeiro 2015

Agência da ONU cita dificuldades no processo de pedidos de asilo e riscos de detenção arbitrária; no último ano, Grécia viu um aumento no número de migrantes que chegaram pelo mar, principalmente cidadãos da Síria.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, elogiou a Grécia por reformas nas políticas de asilo, realizadas durante um período difícil no setor econômico do país. Mas segundo a agência da ONU, mais precisa ser feito.

O Acnur divulgou esta sexta-feira um relatório sobre as condições para migrantes e refugiados no país e reforçou um conselho dado em 2008: outras nações da Europa não devem retornar requerentes de asilo para a Grécia.

Síria e Somália

A Rádio ONU ouviu o porta-voz do Acnur. De Genebra, William Spindler explicou a recomendação.

“O número de pessoas que chegaram à Grécia por via marítima aumentou de forma significativa. São pessoas de países em guerra, como Afeganistão, Somália e sobretudo a Síria. Nossa recomendação é que os países europeus não devem enviar os requerentes de asilo de volta para a Grécia, porque as condições de asilo na Grécia continuam a ter carências importantes, como por exemplo, acesso aos procedimentos de asilo e detenção de pessoas.”

Segundo Spindler, no último ano, 43,5 mil pessoas chegaram à Grécia pelo Mar Mediterrâneo, um aumento de 280% em relação a 2013.

Violência

O porta-voz do Acnur explica ainda que uma pessoa que busca asilo na Grécia e tem dificuldades para fazer o registro pode imediatamente correr o risco de ser enviada de volta ao seu país de origem.

Outros problemas do sistema de asilo são: a falta de condições adequadas para receber os migrantes, xenofobia e violência racial. Segundo a agência da ONU, uma ONG registrou pelo menos 65 incidentes envolvendo ataques físicos contra migrantes ou refugiados, isso entre janeiro e setembro do ano passado.

As acomodações para os requerentes de asilo também são insuficientes, situação que preocupa o Acnur especialmente nos casos que envolvem mulheres e crianças.