Assembleia Geral faz sessão especial sobre aumento do antissemitismo
BR

22 janeiro 2015

Secretário-geral lamenta que judeus continuem sendo alvo de ataques violentos; encontro ocorre após atentados recentes na França; debate ressalta ainda preconceito contra muçulmanos e cristãos.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Durante esta quinta-feira, a Assembleia Geral realiza uma sessão especial de debates sobre o aumento do antissemitismo no mundo. O secretário-geral da ONU está em Davos, no Fórum Econômico Mundial, mas enviou uma mensagem de vídeo ao encontro.

Ban Ki-moon lembrou que judeus continuam sendo alvo de ataques, assim como muçulmanos e tantos outros e que é preciso evitar promover ciclos de “demonização” e “brincar nas mãos daqueles que tentam causar a divisão”.

Desculpas

Segundo Ban, “mágoas sobre ações de Israel nunca devem ser usadas como desculpa para atacar judeus”. O secretário-geral lembrou que o antissemitismo é uma das formas mais antigas de preconceito e lamentou que o povo judeu sofra com abusos, violência e “terrorismo em supermercados”, em alusão ao ataque ocorrido em Paris há duas semanas.

A reunião na Assembleia Geral é moderada pelo presidente interino do órgão, o embaixador de Portugal nas Nações Unidas. À Rádio ONU, Álvaro Mendonça e Moura explicou que o encontro também debate a violência contra outros povos.

Religiões

“O antissemitismo é uma das formas possíveis, há muitas outras. A islamofobia é outra, o ataque a cristãos, apenas pelo fato de serem cristãos é outra forma. E temos visto muitos ataques a cristãos, só pelo fato de serem cristãos. Portanto, o antissemitismo é uma das formas da recusa do outro. E é contra isso que se faz essa reunião. Eu julgo que vamos ter aqui hoje uma grande demonstração de solidariedade, de que apesar das diferenças entre vários países, há pontos que os unem.”

Na Assembleia Geral, o embaixador português Álvaro Mendonça e Moura anunciou que o órgão fará em abril um debate de alto nível sobre promoção da tolerância e da reconciliação. O encontro desta quinta-feira tem como convidado especial o filósofo e intelectual francês Bernard-Henri Levy.

Na noite de quarta-feira, foi inaugurada na sede da ONU a exposição “Arte Proibida”, com pequenas esculturas de pedra e objetos talhados em madeira, produzidos de forma secreta por prisioneiros no campo de concentração de Auschwitz.

A mostra é apresentada  pela Missão da Polônia junto à ONU e pelo Museu Auschwitz-Birkenau.