OIT alerta que panorama global de empregos vai piorar até 2019
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19 janeiro 2015

Relatório da agência da ONU diz que mais de 201 milhões de pessoas estavam desempregadas no mundo em 2014; economia mundial vai continuar expandindo em taxas muito menores do que antes da crise financeira de 2008.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

A Organização Internacional do Trabalho, OIT, alertou que a situação global de empregos vai piorar até 2019.

A afirmação consta do relatório “Panorama Social e de Empregos Mundial” lançado esta segunda-feira pela agência da ONU.

Desemprego

O vice-diretor do escritório da OIT em Nova York, Vinícius Pinheiro falou sobre o documento em entrevista à Rádio ONU.

“O relatório mostra que em 2014, 201,3 milhões de pessoas estiveram desempregadas no mundo inteiro. E as perspectivas para os próximos cinco anos não são muito boas. Isso tem como justificativa, primeiro, o baixo crescimento econômico e, segundo, o aumento dos níveis de desigualdade no mundo inteiro.”

Segundo a OIT, o número de desempregados no ano passado atingiu 31 milhões de pessoas a mais do que antes do início da crise econômica global de 2008.

Os especialistas da organização preveem que o desemprego aumente em 3 milhões em 2015 e em 8 milhões por ano até 2019.

Taxas Inferiores

O documento explica que a economia mundial continua crescendo em taxas muito inferiores ao que acontecia antes da crise econômica e não tem condições de reduzir as diferenças sociais e de empregos que surgiram.

O relatório mostra que o “deficit de emprego global”, índice que mede o número de postos de trabalho perdidos desde o começo da crise, está em 61 milhões.

Segundo os especialistas, para acabar com essa diferença, levando-se em consideração os jovens que entram no mercado de trabalho, será preciso criar 280 milhões de empregos pelos próximos cinco anos.

O documento diz que os jovens entre 15 e 24 anos, principalmente as mulheres, são os mais afetados pelo desemprego, quase 74 milhões estavam buscando trabalho no ano passado.

Situação

A OIT afirmou que a criação de empregos está melhorando nas economias mais avançadas, mas continua muito difícil por toda a Europa. Depois de um período de bom desempenho, a situação está piorando nos países em desenvolvimento e emergentes, como é o caso do Brasil, da China e da Rússia.

No Brasil, por exemplo, o relatório prevê que o desemprego no país chegue a 7,1% neste ano e 7,3% em 2016 e 2017.

Por outro lado, a OIT cita que o emprego informal diminuiu no Brasil, chegando a 36,5%. O relatório diz que o papel das políticas públicas será crucial para redirecionar o crescimento econômico para reduzir a pobreza e compartilhar a prosperidade.

A agência afirma ainda que o Brasil, a Argentina e o Uruguai têm amplos programas sociais e de trabalho que alcançaram resultados significativos na redução da pobreza e para combater a desigualdade na última década.

Salários

O relatório mostra que as desigualdades de salários aumentaram causando um atraso na recuperação econômica e do mercado de trabalho.

Em média, o documento diz que os 10% mais ricos ganham entre 30 e 40% do total dos salários. Em comparação, os 10% mais pobres recebem apenas 2% desse dinheiro.

Mas a OIT afirma que a situação pode mudar se forem feitos investimentos corretos e criadas políticas sociais, de trabalho e de renda específicas para lidar com os problemas.

A agência cita ainda a importância da adoção de reformas dos mercados de trabalho para apoiar a participação, promover a qualidade dos empregos e aprimorar as habilidades dos funcionários.