OIM reúne-se com migrantes na Itália, a maioria fugindo do conflito na Síria
BR

6 janeiro 2015

Dezenas de passageiros, deixados à deriva no Mediterrâneo, contaram ter pagado até US$ 6 mil a traficantes de pessoas na Turquia; polícia italiana investiga suposto comandante de um navio abandonado.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

Dias após terem sido resgatados de navios cargueiros abandonados no Mediterrâneo, um grupo de migrantes contou a autoridades o que ocorreu antes de chegar à Europa.

Em comunicado da Organização Internacional para Migrações, uma agência parceira da ONU, dezenas de sírios contaram ter pagado até US$ 6 mil a contrabandistas na Turquia.

Segurança

A quantia, equivalente a mais de R$ 16 mil, foi o preço cobrado pelos criminosos para que os sírios, que fogem da guerra, pudessem entrar na Europa.

Na semana passada, a ONU fez uma reunião sobre o abandono dos navios com centenas de pessoas no Mediterrâneo. A maior preocupação da Agência para Refugiados, Acnur, é com a segurança dos passageiros.

Segundo o Acnur, uma nova fórmula está sendo usada por contrabandistas para transportar o maior número de pessoas de uma só vez usando navios cargueiros. Mas depois, os criminosos abandonam os navios deixando os migrantes à deriva.

Em apenas um dos casos de resgate pela Marinha Italiana, havia 800 pessoas na embarcação irregular, encontrada sem tripulação. A OIM chamou a atenção para o risco de naufrágio levando à morte homens, mulheres e crianças.

Relatos

No caso do navio Ezadeen, também salvo pela Itália, havia 359 refugiados sírios incluindo 62 menores. Algumas vítimas contaram que foram obrigadas pelos traficantes a ficarem sentadas durante toda a viagem e que as condições do tempo eram ruins durante o trajeto.

A polícia italiana também está investigando relatos de que um dos comandantes do navio teria colocado a embarcação no piloto automático e permanecido a bordo se fazendo passar por um dos migrantes.

Somente nos 11 primeiros meses do ano passado, a Itália resgatou mais de 163 mil migrantes em embarcações irregulares, três vezes mais que em 2013. Ainda no ano passado, mais de 3 mil pessoas perderam a vida enquanto tentavam entrar na Europa pelo mar.

Força-Tarefa

Os traficantes continuaram operando durante todo o ano. A situação agravou-no na semana entre Natal e Ano Novo, quando mais de 2 mil pessoas foram resgatadas do Mediterrâneo pela Guarda Costeira Italiana.

O diretor-geral da OIM, William Lacy Swing, lembrou que o caso dos piratas da Somália, foi enfrentado por uma força tarefa de vários países no Golfo do Áden.

Para ele, o mundo precisa agora de uma nova força tarefa para resolver o problema do tráfico de pessoas no Mediterrâneo.