FAO preocupada com novos padrões de doenças animais no Sudão do Sul

31 dezembro 2014

Novas áreas apresentam casos de doenças no gado como febre da Costa Leste, febre aftosa e tripanossomíase; deslocamentos devido ao conflito também aumentam disputas violentas pelas terras de pastagem.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A Organização da ONU para Agricultura e Alimentação, FAO, alertou sobre a existência de novos padrões de doenças animais em nível preocupante no Sudão do Sul.

Com a movimentação devido ao conflito alastram-se doenças como a febre da Costa Leste, a febre aftosa e a tripanossomíase para áreas que antes não estavam infetadas. As doenças afetam a produção de gado além de ameaçar a segurança alimentar e os meios de subsistência das comunidades.

Crianças

O declínio na produção de leite e a perda de gado devido às doenças aumentam o risco de desnutrição. Os mais afetados são crianças, grávidas e lactantes que têm o leite como parte essencial da sua dieta.

Um relatório da agência revela que pastores e agricultores sul-sudaneses enfrentam uma ameaça crescente com o conflito armado iniciado há um ano. Na área de Renk, até 40% de áreas agrícolas foram perdidas. Em geral, os preços dos alimentos básicos são quatro vezes mais altos em áreas mais afetadas.

Para a agência, o fenómeno agrava tanto a violência para o acesso às terras para pastagem como as condições do gado.

Milhões de Animais

No país, técnicos da FAO ajudam a combater surtos e a manter o sistema de saúde animal. Dezenas de avaliações, investigações de doenças e missões de acompanhamento foram feitas nos últimos meses.

Uma das constatações é que a fuga dos produtores do conflito deslocou milhões dos seus animais. A situação causou novos surtos e o aumento das tensões entre grupos de pastores de gado e agricultores, bem como entre comunidades de pastores locais.

A agência da ONU considera que as dinâmicas animais minam de forma significativa a estabilidade social no Sudão do Sul. O gado é um símbolo de  riqueza, de estatuto social e fonte de renda. Os sul-sudaneses trocam animais por cereais, pagam dotes e só raramente fazem abates para o consumo da carne.

 

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