Relator da ONU diz que EUA devem recuperar superioridade moral
BR

11 dezembro 2014

Juan Méndez afirmou que o uso de tortura nos interrogatórios dos prisioneiros capturados na “Guerra contra o Terrorismo” causou um retrocesso na luta para acabar com esta prática.

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O relator especial da ONU sobre Tortura e outros tratamentos cruéis, Juan Méndez, afirmou que o uso de tortura pelos Estados Unidos manchou a superioridade moral do país e causou um retrocesso na luta contra essa prática.

Segundo ele, “o exemplo americano sobre o uso de tortura durante interrogatório de prisioneiros capturados na “Guerra contra o Terrorismo” representou um grande inconveniente no combate a essa prática em outros países.

Estados Membros

Méndez explicou que como relator especial com mandato para visitar várias nações, “os Estados membros estão de forma implícita ou explícita indagando porque estão sendo avaliados e dizem que se os EUA estão torturando porque eles não podem fazer o mesmo?”

A declaração do relator da ONU foi feita depois da divulgação do relatório da Comissão de Inteligência do Senado americano sobre as técnicas de interrogatório da CIA.

Segundo o documento, altas autoridades americanas promoviam, encorajavam e permitiram o uso de tortura depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, durante o governo do presidente George W. Bush.

Essas práticas, conhecidas como “técnicas avançadas de interrogatório”, foram abolidas pelo presidente Barack Obama.

Méndez afirmou que “como uma nação que tem, publicamente, afirmado sua convicção de que o respeito pela verdade avança o respeito pelo Estado de Lei e que pede transparência e responsabilidade a outros países, os Estados Unidos devem se elevar ao padrão que impuseram a si próprios e a outras nações”.