Desalojados centro-africanos acima de 850 mil, um ano após a crise

5 dezembro 2014

Acnur considera a situação ainda volátil no país; campanha do Unicef apoia retorno de 300 mil crianças às aulas; plano para apoiar refugiados recebeu apenas metade do valor necessário.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

Mais de 852 mil pessoas continuam desalojadas, um ano após confrontos que marcaram a tomada do controlo da capital da República Centro-Africana, Bangui, pelas milícias anti-Balaka.

As ações do grupo de autodefesa, considerado de maioria cristã, resultaram na escalada da violência e no aumento de deslocados que marcou a saída do poder das forças Séléka, composta em grande parte por  muçulmanos. O Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, considera a situação ainda volátil.

Países Vizinhos

Falando à Rádio ONU, de Genebra, o porta-voz da agência William Spindler, disse que os países vizinhos continuam a acolher centro-africanos.

"A situação de segurança é instável. Cerca de 180 mil refugiados partiram para os países da região. Neste momento, mais de 400 mil refugiados da República Centro-Africana ficam nos países vizinhos."

Alerta

Foi a partir de 5 de dezembro de 2013 que iniciaram os confrontos que provocaram a fuga de 1 milhão de pessoas em Bangui e na cidade de Bossangoa. Elas fugiram para o interior do país e além-fronteiras, devido ao que o Acnur caracteriza como “avanço da insegurança para o caos”.

Uma semana depois do escalar da violência, as Nações Unidas declararam um alerta máximo para responder à crise humanitária. Cerca de 60% das escolas foram destruídas pelo conflito.

Passado um ano, o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, anunciou uma campanha para o apoiar o retorno de 300 mil crianças às aulas. A agência disse que distribui todos os materiais necessários para o ensino.

Incidentes

Do país africano ainda surgem relatos de  incidentes esporádicos de violência. Em outubro, por exemplo, registaram-se confrontos entre milícias e forças internacionais.

O Acnur lembra que somente foi financiada a metade do Plano de Resposta Regional para os Refugiados, orçado em US$ 209 milhões.

*Apresentação: Denise Costa.