Para FAO, nutrição precisa deixar de ser uma escolha individual
BR

19 novembro 2014

Agência da ONU defende que decisão sobre o que as pessoas comem é uma responsabilidade coletiva e envolve governos, setor privado e sociedade civil; abertura da Segunda Conferência Internacional sobre Nutrição é esta quarta-feira.

Leda Letra, enviada especial da Rádio ONU a Roma.

Depois de 22 anos, líderes de centenas de países reúnem-se novamente na sede da agência da ONU para Agricultura e Alimentação, FAO, para discutir um tema que interessa a toda população mundial: a nutrição.

Mas o que levou a FAO e a Organização Mundial da Saúde, OMS, a realizarem a Segunda Conferência Internacional sobre Nutrição neste momento? Os números falam por si só: o mundo tem atualmente 805 milhões de pessoas passando fome, enquanto 500 milhões de indivíduos estão obesos.

Decisões

O encontro de alto nível que começa em Roma esta quarta-feira é considerado a maior reunião global sobre nutrição no século 21. Na capital italiana, a Rádio ONU ouviu o diretor-adjunto de Parcerias da FAO.

Rolf Hackbart diz que para a agência, as decisões sobre alimentação precisam deixar de serem vistas como uma escolha individual.

“A importância dessa conferência para as pessoas diretamente é de que nós vamos reforçar que nutrição tem que ser um bem público. Muitas pessoas, ainda hoje, pensam que o que estou comendo é um problema meu. Esta conferência busca ressaltar que além de ser uma situação individual, é uma responsabilidade dos governos, da academia, do setor privado e é um bem público.”

Impacto Financeiro

Segundo Rolf Hackbart a alimentação inadequada tem um custo financeiro muito alto, resultado das perdas na produção e impactos nos cuidados de saúde. O especialista da FAO cita os últimos dados, divulgados em 2013.

“A nutrição inadequada ou a má nutrição, sob todas as suas formas, custa em torno de US$ 3 trilhões ao ano o que equivale a 5% da produção mundial ou a 400 a 500 dólares por pessoa.”

Na Segunda Conferência Internacional sobre Nutrição, serão adotados dois documentos: a Declaração de Roma sobre Nutrição e o Quadro de Ação, um conjunto com 60 medidas para solucionar as várias causas da alimentação inadequada.

 

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