Quase 25 milhões de pessoas a sofrer de insegurança alimentar no Sahel

30 outubro 2014

Representante do Ocha na região destaca que índices de má nutrição estão a piorar, em grande parte devido aos conflitos e à instabilidade no Mali, Nigéria e República Centro-Africana; total de famintos é o dobro de 2013.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova Iorque. 

Os índices de insegurança alimentar e má nutrição na região do Sahel estão a piorar, em grande parte devido aos conflitos e à instabilidade na República Centro-Africana, norte do Mali e nordeste da Nigéria.

A informação é do Escritório da ONU para a Coordenação de Assistência Humanitária, Ocha. Ao todo, 24,7 milhões de pessoas têm dificuldades para se alimentarem, mais do que o dobro do índice registado em 2013.

Impactos

O coordenador do Ocha no Sahel, Robert Piper, destacou que “o dramático aumento da insegurança pela região no último ano levou um grande número de pessoas a precisar de comida, casa e cuidados de saúde”.

Piper explica que isso gerou também um impacto no mercado e no preço dos alimentos. Cerca de 6,5 milhões de pessoas cruzaram a linha da emergência, e enfrentam uma crise aguda de alimentação e subsistência. São 4 milhões a mais do que o registado em janeiro.

Dificuldades

Para lidar com a situação, o representante do Ocha no Sahel destaca que muitos civis contraem empréstimos ou utilizam sementes que deviam ser guardadas para a próxima temporada de plantio.

Muitas famílias também ficam sem opção a não ser reduzir o número de refeições para apenas duas ou uma por dia. O atraso das chuvas prejudicou o pasto e muitos animais morreram.

Financiamento

Segundo o Ocha, já chegam a 6,4 milhões o total de crianças desnutridas menores de cinco anos no Sahel, sendo que a situação de 1,6 milhão é muito severa.

São necessários US$ 1,9 mil milhão para que possa ser realizada toda a ajuda humanitária necessária à região. Até meados de outubro, o Ocha tinha recebido apenas 39% dos fundos.