Monusco quer aplicação de regra “Aja, não pergunte” para proteger civis

27 outubro 2014

No Conselho de Segurança, chefe da missão da ONU na República Democrática do Congo defendeu apoio a novo paradigma para “atuação mais eficaz dos capacetes azuis”.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A Missão da ONU na República Democrática do Congo, Monusco, pediu ao Conselho de Segurança e aos estados contribuintes de tropas no país que apoiem e promovam novas orientações para proteger os civis em risco.

Discursando no órgão, esta segunda-feira, o chefe da operação de paz frisou que perante tal cenário devem ser seguidas as indicações “Aja, não pergunte!” e “Proteção de civis no campo”.

Ação 

Para Martin Kobler, os contingentes devem optar pela ação e não falta de ação, ser proativos e não reativos, com batalhões forças móveis e não estáticas além de intervir a pé e não sobre rodas.

Trata-se do que o representante considera um novo paradigma para a maior eficácia. Kobler defende que a presença das forças “só por si não é suficiente”. Ele frisou que a falta de ação diante da violência mina a credibilidade da ONU.

Comunidades

O chefe da Monusco afirma que patrulhas em blindados herméticos que transportam o pessoal não são suficientes, e sugeriu que as tropas saiam dos veículos e interajam diretamente com as comunidades.

Para ele, não basta continuar em áreas seguras,  mas a força deve seguir o perigo onde este se encontra. Falou ainda da necessidade de incursões na selva durante dias “tal como o faz o comandante da Força, para proteger civis à fonte.”

Massacres em Beni

Como exemplo da exposição dos civis expostos aos grupos armados, Kobler mencionou os ataques à região de Beni. Na capital do Kivu-Norte aumentam os deslocados devido à insegurança e à violência.

Mais de 80 pessoas foram massacradas entre 2 e 17 de outubro, em várias aldeias e nos arredores da cidade por combatentes das Forças Democráticas Aliadas, ADF. Os mortos eram na sua maioria mulheres e crianças.

Corpos

Kobler disse que foram usados facões para mutilar os corpos das vítimas para instalar o medo.

A questão dos direitos humanos também dominou as duas últimas semanas. A 15 de outubro, a Monusco condenou a ofensiva do governo denominada “Likofi” que teve como alvo gangues de rua em Kinshasa. Em língua lingala, o termo significa soco.

O relatório documenta execuções extrajudiciais de nove pessoas e o desaparecimento forçado de outras 32.

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Siga-nos no Twitter! Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud