Ataques contra agências humanitárias duplicam num ano na Somália

23 outubro 2014

Ataques contra agências humanitárias duplicaram num ano na Somália

Chefe de Assistência Humanitária na ONU aponta dificuldades de acesso e limitação dos financiamentos; Valerie Amos sublinha possibilidade de morte de milhares de crianças gravemente desnutridas.

Eleutério  Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Ataques e ameaças contra entidades de auxílio humanitário duplicaram em relação ao ano passado na Somália, alertou a subsecretária-geral para Assistência Humanitária.

Valerie Amos apresentou, esta quarta-feira, um informe ao Conselho de Segurança onde realça a preocupação com o impacto da insegurança, das dificuldades de acesso e da limitação do financiamento sobre a resposta humanitária.

Sobrevivência

Dos US$ 933 milhões pedidos para a assistência humanitária para 2014, o país recebeu apenas 34%. Mais de 3 milhões de pessoas precisam de apoio para sobreviver.

A seca, o contínuo conflito, o aumento de preços alimentares e o baixo financiamento das atividades humanitárias são os fatores que levaram à situação.

De acordo com as Nações Unidas, os desalojados compõem um  terço da população somali, ou  cerca de 1,1 milhão de pessoas. Cerca de 1 milhão vivem como refugiados em países vizinhos.

Continuidade

Para mitigar o agravamento da situação e salvar vidas, a responsável recomendou a continuidade da resposta e do financiamento para áreas como segurança alimentar, nutrição, saúde, água e saneamento.

Amos alertou para o potencial retorno a uma “emergência arrasadora” devido a um eventual choque grave, um facto para o qual pediu à comunidade internacional que fizesse o possível para evitar. Entre 2010 e 2012, pelo menos 250 milhões de pessoas morreram devido à fome na Somália.

Potencial de Morte

Em seis meses, foi registado um aumento de 857 mil para 1 milhão no número de pessoas que não puderam satisfazer as suas necessidades alimentares básicas.

A responsável falou ainda da possibilidade de morte das crianças gravemente desnutridas, caso não recebam urgentemente o tratamento médico e alimentos terapêuticos necessários.

Este ano, mais de 1,4 milhões de somalis receberam alimentos e apoio para a subsistência familiar.

Amos indicou, igualmente, que cerca de 230 mil crianças desnutridas menores de cinco anos tiveram auxílio nutricional. Meio milhão de somalis beneficiaram de serviços de saúde.

 

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