Crescimento de Luanda e os desafios nos "musseques"

6 outubro 2014

Residentes de áreas periféricas da capital angolana falam do quotidiano marcado por desafios de acessibilidade e da falta de transportes públicos; conversa com a Rádio ONU foi alusiva ao 6 de outubro, Dia Mundial do Habitat.

De Luanda, para a Rádio ONU, Herculano Coroado.

Novos edifícios em construção no centro da capital angolana, Luanda, marcam mudanças da cidade que cresce verticalmente. Na periferia, os chamados musseques, que são as zonas mais desfavorecidas, também continuam a expandir.

A Rádio ONU conversou com moradores das áreas periféricas para marcar o Dia Mundial do Habitat. Os temas vão desde a requalificação, o isolamento e as dificuldades enfrentadas.

Nova Vida

Albertina Dias é residente do bairro do Rocha Pinto há sete anos. A mudança foi depois do fim do casamento com oito filhos.

O bairro populoso, erguido informalmente e com residências de risco, está encravado entre o centro de Luanda em transformação e as zonas do Talatona e Nova Vida, ambas novas urbanidades da capital angolana. À chegada, um corte luz que surpreendeu a família, deixou a modesta casa às escuras.

“A energia foi há pouco tempo. Agora, eu não sei se regressa à zero hora ou amanhã. Esta semana, nós já estávamos quatro a cinco dias sem energia eléctrica.  Mas nós pagamos. Esses dias, a energia vai e vai. Agora não sei que manutenção estão a fazer.”

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Luanda cresce verticalmente. Foto: Herculano Coroado.

AcessibilidadeSem luz, água, nem asfalto, um enorme desafio do bairro é saneamento básico. Mas para famílias que precisam de educar os seus filhos, o maior drama é o acesso à escola, que Albertina considera difícil para os seus filhos.

“Lá precisa-se de dinheiro e se você não tiver dinheiro? Por exemplo, eu tenho um filho que não está a estudar. Não tenho dinheiro, não tenho marido e logo, não tenho ninguém que me ajuda.”

Transporte Público

Na estada de uma das avenidas recentemente asfaltadas e sinalizadas de Luanda, Inácio Simão, um jovem animado está ao volante de um táxi.

Trata-se do famoso candongueiro, transporte público informal da capital angolana. Um veículo azul e branco de fabrico chinês, lotado de passageiros que, como muitos outros táxis,  suporta a longa fila de engarrafamento.

Orgulho

A exemplo de Inácio, quase todos “a bordo” da viatura são habitantes dos subúrbios de Luanda, os chamados musseques, como o bairro do Gamek que o jovem taxista tem orgulho de habitar.

“Lá onde eu vivo as ruas sãos vastas. Não há ‘becos’; e apesar de não haver água, mas tem energia eléctrica.”

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Isolamento e dificuldades. Foto: Herculano Coroado.

Populoso e informal, o Gamek, tal com vários outros musseques, aguarda longamente por uma requalificação na capital do país africano a recuperar da guerra civil.Geralmente, a requalificação das cidades pelas autoridades acompanha o que muitos consideram ser “processo de demolições e transferências das populações” para zonas ainda mais afastadas de áreas das suas principais actividades económicas e de sobrevivência.

Esperança

Maria Zage que viaja no táxi do jovem Inácio está a sair do serviço, no centro da capital. Não concorda com o destino que muitas vezes se dá aos moradores destes bairros pobres, nascidos da informalidade da construção dos anos após a independência nacional. Mas ela acredita que o pior é viver uma vida inteira em bairro que considera de risco, como Gamek, onde a jovem escriturária habita há vários anos.

“ Porque eu quero melhorias. Quero sair de um sítio mais baixo para melhor.”

O problema da acessibilidade é um dos maiores desafios para os musseques e arredores de Luanda. Nem sempre há transportes públicos e quase sempre a solução são os táxis informais.

 

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