Em apenas três meses, 2,2 mil morreram ao atravessar o Mediterrâneo

2 outubro 2014

Dados do Acnur aponta que riscos da travessia subiram 2,4% entre julho e setembro, na comparação com o primeiro semestre do ano; ao longo do ano, 165 mil migrantes tentaram chegar à Europa pelo mar.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, divulgou esta quinta-feira novos dados sobre travessia irregular no Mar Mediterrâneo. Segundo a agência, no terceiro trimestre do ano, houve “aumento alarmante” de vidas perdidas.

Cerca de 90 mil migrantes chegaram à Europa entre julho e setembro e 2,2 mil morreram ao atravessar o mar. O Acnur alerta para o aumento na comparação com o primeiro semestre: entre janeiro e junho, das 75 mil pessoas que fizeram a travessia, 800 morreram.

Recorde

A agência da ONU diz que o risco de perder a vida aumentou 2,4% no último trimestre. Este ano já é recorde em termos de migrantes que tentam chegar à Europa. Cerca de  60 mil cruzaram o Mediterrâneo ao longo de todo 2013, contra 165 mil entre janeiro e setembro.

O Acnur revela que vários fatores podem ter contribuído para o aumento. Um deles é a insegurança na Líbia, que atingiu grupos vulneráveis da África Subsaariana e do Médio Oriente. 

Eritreia

Mais da metade dos que fizeram a travessia entre julho e setembro eram candidatos a asilo da Síria e da Eritreia 

Devido aos riscos enfrentados pelos civis, o Acnur está a reiterar seu pedido aos países europeus por mais recursos para o resgate em mar e por alternativas legais para viagens perigosas. 

Resgate

O alto comissário António Guterres disse que a Itália tem sido responsável pela maioria dos resgates, por isso ele pede ajuda de outras nações. 

A agência explica ser essencial a resposta coletiva para evitar que mais vidas sejam perdidas e que o incidente de Lampedusa, ocorrido há um ano, não se repita. Na ocasião, um barco com 500 migrantes africanos afundou na costa da Itália, mas apenas 150 foram resgatados com vida.

No mês passado, uma tragédia em Malta fez 500 mortos quando o barco em que estavam foi aparentemente afundado por contrabandistas.

 

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