Unctad afirma que políticas econômicas são insuficientes para criar demanda
BR

10 setembro 2014

Relatório da agência da ONU diz que recuperação econômica não passa pelas normas atuais adotadas pelos países; para organização existe uma alternativa para promover crescimento global mais inclusivo.

Mariana Nissen, do Rio de Janeiro para a Rádio ONU em Nova York.*

A Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento, Unctad, afirmou que as políticas econômicas atuais são insuficientes e incapazes de criar demanda.

O relatório de Comércio e Desenvolvimento apresentado esta quarta-feira no Rio de Janeiro, concluiu ainda que o caminho da recuperação econômica não passa pelas normas atuais adotadas pelos países.

Alternativa

Mas o documento diz que existe uma alternativa viável para promover um crescimento global mais inclusivo.

Na sede do Centro de Informação da ONU no Rio de Janeiro, Unic Rio, o economista e professor da Unicamp, Antonio Carlos Macedo e Silva falou sobre essa alternativa.

“Um crescimento com maior equidade baseado no aumento de salários e redistribuição de renda é mais sustentável do que o atual que é fraco e frágil já que se baseia em políticas monetárias que tornam a inflar bolhas especulativas que mais cedo ou mais tarde voltarão a explodir.”

Segundo o relatório, os estímulos para a exportação através da redução de salários e desvalorização interna são autodestrutivos e contraproducentes, principalmente se todos os países seguirem o mesmo rumo.

Visão

“A visão da UNCTAD é de que o caminho do desenvolvimento vem da sustentação da demanda e da transformação estrutural. A demanda tem que aumentar para que recursos produtivos sejam utilizados, recursos que estão desempregados ou subempregados. É necessário promover uma transformação estrutural, que as nossas estruturas produtivas e de emprego se tornem mais parecidas aquelas que caracterizam os países desenvolvidos”.

O relatório cita como um fator-chave para garantir o crescimento a autonomia dos países para decidir sobre suas políticas econômicas. Neste caso, especialmente, as nações em desenvolvimento.

Evasão Fiscal

A Unctad também destaca o impacto nefasto que a evasão fiscal causa na economia global, principalmente nos países em desenvolvimento.

Calcula-se que entre 8% e 15% da riqueza financeira líquida estão em paraísos fiscais, a maior parte sem registro. Isto resulta em uma perda de recursos públicos entre 190 e 290 bilhões de dólares, aproximadamente entre 450 e 690 bilhões de reais .

Dessa parcela, os países em desenvolvimento perdem entre 66 e 84 bilhões de dólares, o que equivale a dois terços do valor anual da ajuda pública ao desenvolvimento.

*Apresentação: Edgard Júnior com reportagem do Unic Rio.

 

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