Pnud alerta que um terço da América Latina pode cair na pobreza
BR

28 agosto 2014

Agência da ONU diz que apesar da região ter reduzido problema quase pela metade, 200 milhões correm risco; Brasil registrou progresso em relação à redução da pobreza e aumento da classe média.

Edgard Júnior, da Radio ONU em Nova York.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, alertou que um terço da América Latina pode cair na pobreza.

Um estudo da agência da ONU divulgado esta quinta-feira mostrou que apesar da região ter conseguido reduzir o problema quase pela metade, 200 milhões de pessoas correm risco de se tornarem pobres.

Avanço

A assessora de imprensa do Pnud em Nova York, Carolina Azevedo, disse em entrevista à Rádio ONU que o Brasil registrou um avanço acima da média entre 2000 e 2012.

“A pobreza caiu drasticamente no Brasil entre 2000 e 2012, de 43,1% da população que vivia abaixo de US$ 4 por dia, no ano 2000, essa proporção caiu para 24,5%, em 2012. Ao mesmo tempo a classe média aumentou de 22% da população em 2000 para quase 35% em 2012.”

Mas Azevedo diz que o estudo chama a atenção daqueles que são chamados de vulneráveis, pessoas que vivem entre US$ 4 e US$ 10, por dia. Ela explicou que os pobres são os que sobrevivem com menos de US$ 4 por dia e a classe média fica entre US$ 10 e US$ 50 diários.

Vulneráveis

O Pnud está preocupado com os vulneráveis porque eles não conseguem viver com o nível da classe média, mas também não são mais classificados como pobres.

A assessora disse que sem uma rede de proteção social, no caso de uma crise financeira ou um desastre natural essa classe cairá na pobreza. Por isso a agência da ONU pediu aos países que aumentem a resiliência para proteger esse grupo.

Carolina Azevedo explicou como foi feita a avaliação para encontrar as razões para os progressos e avanços obtidos não só pelo Brasil mas por toda a região.

“A gente pode dizer que mais ou menos 62% da queda da pobreza na América Latina foi resultado do crescimento econômico e , por outro lado, 38% foi efeito da distribuição de renda. O Brasil segue mais ou menos essa tendência. Mais ou menos 63% da redução da pobreza foi um efeito do crescimento econômico enquanto 37% dessa queda na pobreza foi um efeito de distribuição de renda.”

América Latina

O estudo do Pnud mostra que no geral, em toda a América Latina, a classe média cresceu de 21% para 34% entre 2000 e 2012. A população de vulneráveis subiu de 35% para 38% e a de pobres caiu de 42% para 25% durante o mesmo período.

O Peru foi o país da região que registrou o maior número de pessoas saindo da pobreza e entrando na classe média. A Bolívia foi o que teve a maior queda no número de pobres mas ao mesmo tempo computou o maior aumento de vulneráveis.

Chile e Argentina reduziram tanto o número de pobres quanto o de vulneráveis. A República Dominicana teve uma queda na classe média e em  El Salvador, o número de pessoas vulneráveis aumentou devido a redução da pobreza e da classe média.

Em metade dos 18 países pesquisados, mais de 20% da população jovem entre 15 e 24 anos não trabalha nem estuda. O maior índice foi registrado na Guatemala, com 25% e o menor, 15,3% no Uruguai e no Peru.

 

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