Comitê da ONU pede sessão especial sobre violência no Iraque
BR

25 agosto 2014

Comissão sobre Eliminação da Discriminação Racial vê aumento do risco de genocídio na região, grupo quer que o Conselho dos Direitos Humanos discuta a situação; alta comissária da ONU, Navi Pillay, diz que execuções e ataques podem ser crimes contra a humanidade.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova York.*

O Comitê da ONU sobre Eliminação da Discriminação Racial pediu ao Conselho de Direitos Humanos que realize uma sessão especial sobre o Iraque.

O grupo citou a ocorrência de massacres, limpeza étnica, deslocamento forçado da população, além de violência contra mulheres e crianças e outros crimes contra a humanidade cometidos pelo grupo Estado Islâmico.

Genocídio

Segundo o Comitê, esses crimes representam uma violação da Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação Racial e um aumento do risco de genocídio na região.

Os integrantes do Comitê querem a criação de uma comissão de inquérito para examinar as causas do conflito, as ações do Estado Islâmico, responsável pelos ataques e como punir os culpados.

Em comunicado separado, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos condenou, esta segunda-feira, o que considerou de “privação terrível, generalizada e sistemática dos direitos humanos no Iraque”.

Navi Pillay afirmou que os atos foram cometidos pelo Estado Islâmico, EI, e por forças associadas. Segundo ela, os ataques e execuções podem ser considerados crimes contra a humanidade.

Alvos

Ela disse que os alvos sistemáticos dos ataques são homens, mulheres e crianças que pertencem a minorias religiosas, sectárias ou étnicas.

Segundo Pillay, os atos ocorridos nas áreas sob o controle das milícias incluem a  “limpeza étnica e religiosa.”

Conversões

Entre as violações estão assassinatos seletivos, conversões forçadas ao islã, sequestros, tráfico, escravidão, abuso sexual, destruição de locais de importância religiosa e cultural bem como “o cerco de comunidades inteiras devido à afiliação étnica, religiosa ou sectária.”

As vítimas são cristãos, shabaks, turcomanos, Kaka'e e sabeus. Quanto aos yazidis, da província de Niniva, Pillay cita milhares de mortes ocorridas desde o início de agosto além de 2,5 mil sequestros.

Assistência 

A alta comissária citou também a necessidade urgente de assistência humanitária para os deslocados pelo conflito e para os sitiados em áreas controladas pelo Estado Islâmico.

Desde 15 de junho, pelo menos 13 mil xiitas do Turcomenistão, incluindo 10 mil mulheres e crianças, foram cercados pelos rebeldes so grupo.

Pillay chamou a atenção para as duras condições de vida mencionando a grave falta de alimentos, de água e de  serviços médicos aliados a “receios de um possível massacre iminente.”

Mossul 

Há também uma grande preocupação com milhares de cristãos e membros das comunidades do Turcomenistão e Shabak que fugiram para Mossul e outras cidades de Ninewa controladas pelo Estado Islâmico.

Pillay fez um apelo aos Governos do Iraque, da região autônoma do Curdistão e à comunidade internacional para que sejam tomadas as medidas necessárias e não se poupem esforços para proteger comunidades étnicas e religiosas vulneráveis.

O pedido é que seja garantido o retorno dessas pessoas aos seus lugares de origem em segurança e dignidade.

Escudos Humanos

A alta comissária disse que o recrutamento forçado de meninos com mais de 15 anos é um exemplo do efeito catastrófico do conflito.

Segundo ela, esses meninos estão sendo usados como escudos humanos já que estão posicionados na linha de frente dos combates.

*Apresentação: Edgard Júnior.

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud