ONU deplora abuso generalizado atribuído a milícias no Iraque
Chefe dos Direitos Humanos chama atenção para milhares de pessoas cercadas pelo Estado Islâmico e por grupos associados; condenado recrutamento forçado e uso de meninos como escudos humanos.
Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.
A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos condenou, esta segunda-feira, o que considerou de “privação terrível, generalizada e sistemática dos direitos humanos no Iraque”.
Em comunicado, emitido em Genebra, Navi Pillay sublinha que os atos foram cometidos pelo Estado Islâmico, EI, e forças associadas.
Crimes
A responsável menciona como alvos sistemáticos das ações homens, mulheres e crianças com base na sua filiação religiosa, sectária e étnica.
Os atos ocorridos nas áreas sob o controle das milícias incluem a “limpeza étnica e religiosa.” Ela sublinha que tal perseguição pode ser considerada crime contra a humanidade.
Conversões
Entre as violações estão assassinatos seletivos, conversões forçadas, sequestros, tráfico, escravidão, abuso sexual, destruição de locais de importância religiosa e cultural bem como “o cerco de comunidades inteiras devido à afiliação étnica, religiosa ou sectária.”
As vítimas são cristãos, shabaks, turcomanos, Kaka'e e sabeus. Quanto aos yazidis, da província de Nínive, Pillay aponta para milhares de mortes ocorridas desde o início de agosto além de 2,5 mil raptos.
Assistência
Pillay também sublinha a necessidade urgente de assistência humanitária para os deslocados pelo conflito e para os sitiados em áreas controladas pelo EI.
Desde 15 de junho, pelo menos 13 mil xiitas do Turcomenistão, incluindo 10 mil mulheres e crianças, foram cercados pelo EI e grupos armados associados.
Pillay chama a atenção para o que chama de duras condições de vida apontando para a grave escassez alimentar, de água além e a falta de serviços médicos aliada a “receios de um possível massacre iminente.”
Mossul
Há também uma grande preocupação com milhares de cristãos e membros das comunidades do Turcomenistão e Shabak que fugiram para Mossul e outras cidades de Nínive controladas pelo EI.
O apelo aos Governos do Iraque, da região do Curdistão e à comunidade internacional é que sejam tomadas as medidas necessárias e não se poupem esforços para proteger comunidades étnicas e religiosas vulneráveis. O pedido é que seja garantido o seu retorno aos seus lugares de origem em segurança e dignidade.
Escudos Humanos
Para ilustrar o que a alta comissária chamou de efeito catastrófico do conflito sobre as crianças, citou o recrutamento forçado de meninos com idades a partir dos 15 anos.
Pillay citou entrevistas de monitores de direitos humanos da ONU a famílias deslocadas, apontando para o posicionamento deliberado dos meninos na linha de frente em combates como escudos humanos.