Secretário-geral deve dinamizar cooperação com União Africana

28 julho 2014

Ao Conselho de Segurança, Ban Ki-moon afirma que Nações Unidas estão a correr contra o tempo para criar a Missão Multidimensional Integrada de Estabilização na República Centro-Africana.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova Iorque. 

As Nações Unidas estão a se preparar para tomar por completo a missão de paz na República Centro-Africana, que é liderada atualmente pela União Africana.

Neste sentido, o Conselho de Segurança ouviu esta segunda-feira o secretário-geral da ONU e pediu recomendações sobre o que pode ser feito melhor em futuras transições.

Experiência do Mali

O Conselho expressou determinação “para tomar passos certos e melhorar a relação entre as Nações Unidas e organizações regionais, em particular a União Africana”.

A reunião decorreu um ano após a missão da União Africana no Mali, Afisma, ser transferida para a Missão Multidimensional Integrada de Estabilização da ONU no país, Minusma.

Numa resolução aprovada pelos 15 países membros, o Conselho destacou a necessidade de se desenvolver as habilidades das forças regionais em enviar tropas de paz com rapidez, em apoio aos capacetes azuis da ONU.

Capacidades

Neste contexto, os membros do órgão pediram a Ban Ki-moon para iniciar com a União Africana um exercício de lições aprendidas com a experiência no Mali e apresentar recomendações até 31 de dezembro.

O Conselho de Segurança pediu ainda uma lista de ações necessárias para ajudar a União Africana a desenvolver suas capacidades militares, de polícia, técnicas, logísticas e administrativas.

Em declarações ao órgão, o secretário-geral disse que a ONU está a “correr contra o tempo” para ampliar a Missão Multidimensional Integrada de Estabilização na República Centro-Africana, Minusca.

Rebeldes 

A nova missão das Nações Unidas terá de princípio 10 mil militares e 1,8 mil policiais. A Minusca irá assumir o controlo da missão operada pela União Africana, Misca, no dia 15 de setembro.

Os ataques inter-comunitários entre rebeldes anti-balaka, de maioria cristã, e Séléka, de maioria muçulmana, já levaram 2,2 milhões de pessoas a necessitar de ajuda humanitária no país.

No Conselho de Segurança, Ban Ki-moon disse ser preciso fazer mais e apelou à comunidade internacional para que “pare de olhar aos factos de forma isolada” e apenas considere as “lentes das organizações relevantes”. 

Pior Crise

Ban notou ainda que até meados de 2015, as operações de paz da ONU em África Ocidental serão menores, com o enxugamento das missões na Cote d’Ivoire, conhecida como Costa do Marfim, e Libéria.

O secretário-geral expressou preocupação com a situação no Sudão do Sul, no que considera ser a “crise humanitária com a deterioração mais rápida no mundo hoje, ainda pior do que a República Centro-Africana e a Síria”.

Ban Ki-moon fez um apelo ao presidente sul-sudanês, Salva Kiir, e ao seu ex-vice Riek Machar, para que respeitem o acordo de fim das hostilidades, assinado a 23 de janeiro. Já são 1,5 milhão desalojados e mais de 7 milhões com risco de fome e doenças.

 

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