No Iraque, Ban reitera repúdio pelos abusos contra civis e minorias

24 julho 2014

Chefe da ONU disse ter abordado agressões a civis, locais de culto e líderes religiosos com o Aiatolá al-Sistani; Ban manifetou expetativas quanto às novas autoridades após escolha do novo presidente do país.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

O secretário-geral das Nações Unidas disse que um novo governo verdadeiramente inclusivo irá fortalecer a unidade dos iraquianos.

Ban Ki-moon falava esta quinta-feira em Najaf, no Iraque, após um encontro com o Aiatolá al-Sistani. O contacto com o líder religioso, no sul da capital, Bagdad, seguiu-se à reunião com o primeiro-ministro do país, Nuri al-Maliki.

Novo Presidente

A série de encontros ocorreu no dia em que agências de notícias anunciaram a eleição, pelo Parlamento, de Fouad Masoum como presidente do país.

A escolha marca a segunda etapa no processo de formação de um novo governo, enquanto é aguardada a proclamação do primeiro-ministro após as eleições de abril.

Sementes do Sectarismo

De acordo com o chefe da ONU, a inclusão no executivo deverá combater o terrorismo de forma eficaz, ao movimento Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, além de arrancar o que chamou de “sementes do sectarismo e da divisão”.

Ban disse ter ficado profundamente comovido com os contactos entre o líder com as partes em confronto para o fim da retórica sectária ou étnica.

Com al-Sistani, o secretário-geral afirmou que abordou relatos de graves violações de direitos humanos contra civis, locais de culto, líderes religiosos, incluindo atrocidades em áreas controladas pelo Isil.

Violações

Após lembrar que o Conselho de Segurança e a comunidade internacional deploraram tais atos de forma sonante e clara, Ban condenou com vigor as violações dos direitos humanos universais fundamentais.

Em junho, o país registou 1,5 mil mortes de civis e 1,7 mil feridos. O mês marcou a fuga de metade dos cerca de 1,2 milhões de pessoas deslocadas devido à violência.

O líder religioso destacou que a luta contra o Isil e outros grupos armados deve ser exclusivamente conduzidos pelas Forças de Segurança e só no quadro da Constituição. O secretário-geral disse ter discutido o processo político em curso da formação de governo.