Unicef quer ação urgente contra mutilação genital feminina
BR

22 julho 2014

Prática afeta mais de 130 milhões de meninas e mulheres em 29 países na África e no Oriente Médio; agência e governo britânico realizam conferência sobre o assunto e também sobre casamento infantil.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Cerca de 130 milhões de meninas e mulheres já sofreram mutilação genital, de acordo com dados divulgados esta terça-feira pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

A prática é mais comum em 29 países da África e do Oriente Médio e por isso, a agência pede ação urgente para erradicar a mutilação genital feminina. Iraque, Libéria, Nigéria, República Centro-Africana, Quênia e Tanzânia são nações onde os casos estão diminuindo.

Hemorragias

Além da dor física ao ter seu órgão genital removido ou cortado, as vítimas sofrem danos psicológicos e risco de hemorragias, infecções, infertilidade e até morte, de acordo com o Unicef.

A agência faz um alerta também sobre casamentos infantis: mais de 700 milhões de mulheres casaram enquanto ainda eram crianças. E 250 milhões casaram antes de completarem 15 anos de idade.

Mudanças

Para o diretor do Fundo, Anthony Lake, os números mostram a necessidade de acelerar esforços contra um problema “em escala global”. Ele sugere que a solução seja liderada pelas comunidades locais e famílias das meninas.

O chefe do Unicef defende ainda a importância de se “mudar mentalidades e quebrar ciclos que perpetuam a mutilação genital e o casamento forçado”.

Investimento

Junto com o governo do Reino Unido, a agência da ONU está organizando a primeira “Cúpula da Menina”, buscando mobilizar apoio internacional para acabar com as duas práticas.

O governo britânico anunciou no encontro, em Londres, um investimento de £1,4 milhão para ajudar sobreviventes da mutilação e proteger meninas em risco.

 

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