Cerca de 4 mil eritreus fugiram do país por temer abusos, diz relatora

18 junho 2014

Relatora diz que estimativa corresponde ao mês de maio; natureza do serviço militar e prisões arbitrárias apontados como motivos principais da fuga; Eritreia diz que informe contém acusações politicamente motivadas.

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Cerca de 2 mil pessoas fogem mensalmente da Eritreia para a vizinha Etiópia, disse a relatora especial da ONU para os direitos humanos no país, Sheila Keetharuth. Somente em maio, perto de 2 mil eritreus chegaram ao Sudão.

Um relatório sobre a situação do país, apresentado no Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, insta a comunidade internacional a abordar o que considera “violações recorrentes” que causam o fenómeno.

Serviço Militar

De acordo com a especialista, as principais razões para a fuga são o serviço militar por tempo indeterminado e a contínua crise de prisões arbitrárias.

Em representação da sociedade civil eritreia, a ONG Jubilee Campaign apontou para dezenas de milhares de eritreus a viver em “centros de detenção em condições desumanas”.

Conforme informou, atos como a sujeição deliberada a condições fatais, as agressões graves e a tortura “podem corresponder a execuções extrajudiciais”.

Comissão de Inquérito

As entidades apelaram ao Conselho que adote medidas que incluem a criação de uma comissão de inquérito.

O representante eritreu junto à ONU em Genebra rejeitou o relatório da perita independente por considerar que contém “acusações politicamente motivadas disfarçadas de questões de direitos humanos”.

Sensibilização

Declarou que tal como todos os países, a Eritreia enfrenta desafios de direitos humanos que o governo “combate constantemente e procura abordar”.

O governo eritreu citou ainda a realização de campanhas de sensibilização pública, da punição dos autores e de reforço da cooperação regional para abordar o tráfico humano e o contrabando.

Para a relatora, a fuga de eritreus poderia diminuir se fosse quebrado o que chamou de “ciclo de impunidade por violações persistentes”.

 

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