Pillay pede fim do discurso de ódio no Sri Lanka
BR

16 junho 2014

Alta comissária “alarmada” pela violência intercomunitária no país asiático, com pelo menos três mortes; conflito de grupo budista com grupo muçulmano começou no domingo.

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos expressou “grande alarme” com a violência intercomunitária no sudoeste do Sri Lanka. A nota divulgada por Navi Pillay fala em pelo menos três mortos.

A violência começou domingo, na cidade de Aluthgama, após uma manifestação do grupo budista Bodu Bala Sena. Os budistas protestavam contra um ataque, ocorrido dias antes, de jovens muçulmanos contra a visita de um monge budista a um templo local.

Incêndios

Integrantes do grupo budista seguiam em passeata por bairros muçulmanos, entoando slogans anti-muçulmanos. Foi quando a violência começou, com casas, lojas e mesquitas sendo atacadas e incendiadas.

Mesmo após a chegada de 1,2 mil policiais, os confrontos continuaram pela noite. Para Navi Pillay, o governo do Sri Lanka precisa “fazer todo o possível para acabar com a violência e o discurso de ódio”, além de proteger as minorias religiosas.

Retórica

A alta comissária está preocupada com a possibilidade da violência se espalhar por comunidades muçulmanas em outras partes do país e espera que as autoridades deixem claro para líderes religiosos e políticos “que não há espaço para a retórica inflamada e incentivo à violência”.

Ao mesmo tempo, Pillay pede às forças de segurança que usem medidas adequadas para conter a situação e garantir que “esta trágica situação não seja agravada pelo uso excessivo da força”.

Navi Pillay visitou o Sri Lanka em agosto do ano passado e desde então, vem alertando sobre o aumento de ataques contra minorias religiosas no país.